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Tuesday, September 15, 2015

Sabes que o dia de hoje está cinzento, mas...

... nunca se sabe como irá terminar. A instabilidade climatérica pode sempre estender-se ao estado psíquico e, da mesma forma que acordaste com chuva, não sabes se quando te fores deitar à noite o tempo não estará agrável o suficiente para um passeio nocturno, sem que o vento te despenteie.

Wednesday, September 9, 2015

Sabes que o dia de hoje foi bom, mas...

o diabo sempre esteve e sempre estará atrás da porta. Não há Vaticano, Papa ou religião que nos safe. Só conseguiremos safar-nos se quisermos. A única coisa que vale a pena é a certeza de que fazemos o melhor que podemos. Ou não fazemos? Não alardeio a importância da coragem ou outros clichés que sejam. Não contraí nenhuma doença mortal, só aquela que todos adquirimos a partir do momento em que passámos a existir. Morrerei quando tiver de ser. Mas até lá, espero que o inferno que criar seja mais doce, e menos tortuoso do que todos os outros que já criei até agora.

Friday, September 26, 2014

Sabes que foi uma semana boa porque...

... todos os dias tiveste tarefas/compromissos a cumprir. A vida não se faz apenas de momentos bons (isso é só para os privilegiados), mas o importante é avançar, deixar para trás a tristeza e a mágoa. Correr, sentir o vento na cara, dormir numa cama com lençóis lavados*, cozinhar algo delicioso para o jantar, ler um bom livro, podem parecer pequenas tarefas, pequenas coisas, mas os dias constroem-se através de pequenas peças. Se o demónio está nos detalhes, também a felicidade reside nos pormenores, nas pequenas coisas.

Claro que há dias maus, dias de merda, ou apenas dias em que a maior parte do tempo se passa em sofrimento ou imersa em tristeza. Mas é graças a esses dias que, quando o equilíbrio é reestabelecido, a felicidade regressa e a serenidade se impõe.

A solidão não é uma tragédia. A solidão é uma necessidade. Não conheces outro lugar onde seja possível encontrar-te senão aí. Mas isso não significa que estejas só: a família que te caiu na rifa até é catita e os poucos amigos que tens são de superior qualidade. De tal forma que, se fossem restaurantes, facilmente lhes atribuiriam três estrelas Michelin.

Se isso não é ser afortunado, então não sabes o que poderá ser.

Tuesday, September 23, 2014

Sabes que no fundo às vezes o melhor era mesmo...

... hibernar durante algum tempo, fazer uma dieta que excluísse pessoas, tendo sempre em mente que em relação a estas nunca se deve criar expectativas. Nunca se deve confiar nas pessoas e ainda menos acreditar nelas. E esta é uma lição que já deveria ter aprendido há muito. Assim tipo, desde que li A Queda (Albert Camus) - obra também conhecida como «Manual para aprender a não confiar na espécie humana» (pelo menos do modo como a vejo).

Friday, September 19, 2014

Sem número, número 25

Pequenos passos podem conduzir a uma longa e feliz caminhada. E nunca uma cantiga me fez sentir tão feliz.*


*Nem sempre se percebe a dimensão do puzzle, mas é sempre bom quando se consegue encaixar mais uma peça, por mais insignificante que possa ser ou parecer. 

Thursday, September 11, 2014

Sabes que tudo vale a pena quando...

... Sendo os motivos propícios à depressão, dás por ti rodeada de pessoas fantásticas e num lugar onde, apesar de tudo, há ainda um ou dois aspectos (muito) positivos que compensam os desgostos. E que, apesar da aleatoriedade de vida, até tiveste sorte no que te saiu na rifa. And then, it's just like Monty Python said: «Always look at the bright side of life. (And whistle.)»

Thursday, February 6, 2014

Sem número, número 19

Já se perdeu a conta aos dias cinzentos de chuva, aos dias encerrados em casa, diante de um computador e livros. O isolamento constrói-se e, ao sair à rua, forçada pelos compromissos médicos, compreende-se finalmente o tamanho da solidão. É um luxo não se ser forçado a conviver com desconhecidos. Ao entrar no táxi compreende-se a importância de se estar só, distante das ruas, do metro, dos autocarros, dos balcões de atendimento. Durante um quarto de hora - oh, e entrara-se no táxi pensando poder contornar as distâncias e o tempo - o homem fala, fala, fala, queixa-se, brada contra todas as entidades de esquerda, contra o sistema político, pragueja e insulta violentamente, fazendo estremecer o passageiro. E os semáforos que insistem em ficar vermelhos, que permanecem assim durante minutos a fio, e a ânsia pelo verde, a ânsia de chegar, de poder sair dali e não ouvir mais aquele homem. «Cale-se», grita mentalmente. «Deixe-me», desejando o silêncio, que é mais valioso do que ouro e todas as pedras precisosas do mundo. No final, perante a ausência de reacção, pergunta se já terminei o meu curso, se trabalho. Digo-lhe que não. Espanta-se. «Como não trabalha?» Chegamos, finalmente. E saio, pago, deixo alguns cêntimos a mais: a vontade de sair dali não tem preço.

Monday, February 3, 2014

Sabes que não estás assim tão velha e acabada porque...

... É de madrugada e, tendo um projecto em mãos, sentes-te ainda motivada e desperta para continuar. Quebraste antes do jantar, mas a partir daí foi sempre a aviar e olhas para a lista de tarefas, de textos a escrever e cenas para apontar e fazer e decides-te a tratar ainda mais alguns assuntos antes de ir dormir, porque te dá para rabiscar e escrevinhar. É mais ou menos (menos, oh, muito menos) como quando, durante alguns meses, fazias uma directa semanal e tinhas tantas responsabilidades em mãos que chegavas a trabalhar das 22.00 às 2.00 e a levantares-te às 6.30 para escrever, sentindo-te fresca como uma alface e cheia de ideias e das palavras certas para transpor para o papel. «A fervilhar», seria a expressão correcta para descrever o que sentias. E sentias o que sentias, porque não tinhas uma gota de respeito pelas pessoas que insistiam em ser parvas e desvalorizavam o teu trabalho.

E eis que, finalmente, cinco anos depois (já passou tanto tempo?), sentes algo semelhante e sentes-te bem (vá, exceptuem-se as dores nas costas, no rabo e o cansaço nas pernas), porque não há ninguém que te possa fazer sentir uma incompetente, ou simplesmente mal por seres uma Wikipedia tonta com braços e pernas e muita informação inútil. That's it.

Monday, January 13, 2014

Sabes que qualquer coisa não está bem quando...

... tens de apagar itens e parte da tua formação, que custou a adquirir, do teu CV, na esperança de que alguém te dê uma oportunidade num emprego que não queres, mas que talvez seja o único que consigas.

Wednesday, November 20, 2013

Looking at the bright side of life #2

Procurando conforto e algum sentido na vida, pensando, uma vez mais, nos Python, creio que há um lado bom e motivos para olhar para ele: deixar de conviver com alguém que nos faz sentir diariamente estúpidos e incapazes, é capaz de ser uma coisa positiva. Quiçá, talvez ajude a melhorar a auto-estima, assim, na loucura. Ou não.

Logo se verá.

Thursday, November 14, 2013

Looking at the bright side of life #1

Mirando a caixa com todos os conteúdos alguma vez criados pelos Monty Python, lembrei-me que, olhando para o lado positivo da minha situação, de uma coisa podia estar certa:

Desde que o grande terramoto não ocorra até à primeira quinta-feira de Dezembro, já não morro dessa catástrofe natural. 

E regojizo e exulto e cenas.

Sunday, November 10, 2013

Sem número, número 18

Os domingos são os dias mais difíceis. Aos domingos contam-se os dias em falta até ao final do mês de Novembro. Quantas segundas-feiras existem ainda. Quantos dias úteis falta sofrer até que Dezembro chegue.

Os domingos nem sempre foram assim. Mas uma pessoa tem de se adaptar para evoluir. O único obstáculo é que é difícil a adaptação a uma situação à qual ainda não nos podemos adaptar porque ainda não existe de facto.

E perdida em cálculos e previsões, concluo: o valor de uma pessoa não é o conjunto de todas as suas partes; o valor de uma pessoa tem de ser traduzível numa unidade monetária. Contudo, no final, uma pessoa não vale nada: sendo substituível, perde qualquer importância que possa ter. Como pratos, talheres ou copos descartáveis. E faz sentido: quem se há-de afeiçoar, ou sequer dar importância, a um copo de plástico, sujo, quando tem mais 15 prontos a usar?

Posto isto, sinto-me apta a reformular a Lei de Lavoisier: na realidade, nada se perde, porque nada importa.

Wednesday, October 9, 2013

Depois do adeus

Em Frankfurt, sentimos o céu esmagar-nos, descendo sobre as nossas cabeças, pressionando-nos contra o chão.

Era o final do mês de Julho, início de Agosto. Não chovia ainda, mas o céu erguia-se cinzento na ponta dos arranha-céus. Era um mês atípico na cidade, mas ainda assim, o bulício rotineiro do seu dia-a-dia era perceptível. Atravessando as largas avenidas que abriam caminho entre os altos edifícios, alguns símbolos germânicos pareciam fazer sentido, como se de um prolongamento da cidade se tratassem: o tom escuro dos fatos Hugo Boss, o preto dos Mercedes-Benz e dos BMW que povoavam a cinzenta urbe. Era uma cidade ventosa, fria, onde o céu era um espelho dos monumentais prédios de vidro e aço.

Os arranha-céus roçavam os céus forrados de nuvens escuras e o vento varria as avenidas, anunciando a tempestade. Subitamente sentiram algumas gotas cair e, ainda em silêncio, apressaram o passo em direcção ao carro.

Ela não sabia bem porque ali estava. «Naquela direcção?». «Sim, vamos», respondia ele nos seus diálogos que lentamente se estavam a transformar em monólogos. Ela já não tinha mais nada para lhe dizer. Mas talvez ele também não estivesse interessado.

Ela inquietava-se por não saber explicar porque estava ali. «Pelo menos aqui já não chove», pensava. «Pelo menos já não está tanto calor», dizia si mesma, como que procurando um qualquer motivo de consolação que a impedisse de sentir o peso que carregava dentro de si. Mas não estava a resultar.

«Como ficámos assim?», questionava-se. Como deixou se deixou chegar àquele ponto? Quando se tinham perdido um do outro?» «Um capricho», pensaria anos mais tarde. «Um capricho pelo qual me deixei embalar». A culpa não era exclusivamente dele, porque ela o deixara levar a sua dignidade. Por isso sentia o peso da culpa. E da vergonha. A dignidade era o que mais valorizava e deixara-o arrasá-la, porque julgava que o amava. Mas não sentia amor.

A situação era ridícula e sabia-o. Perdera tudo em poucas horas. Consolava-a apenas saber que, na realidade, a responsabilidade pertencia a ambos. Sabia também que quem ama, perdoa. E ele não lhe perdoara o momento em que perdera a calma e se vira despojada de toda a racionalidade.

Era complicado. Fora tudo muito confuso. Amor e raiva misturavam-se. Mas, como sempre, não adiantava pensar nisso. «Já passou», dizia, procurando convencer-se. Talvez nunca tenha compreendido o que aconteceu naquela cidade cinzenta, quando ambos passeavam de rostos pesados. Não eram mais amantes, porque o amor se desvanecera. Não eram namorados, porque o afecto desaparecera. Restava somente o conforto da  realidade, de que ninguém agiu mal, que ambos se magoaram. Mas era assim que devia ter sido. Era suposto ela sofrer. E era suposto ele crescer.

[O bonito céu de Francoforte em pleno Verão.]

[Publicado originalmente a 10 de Junho de 2008.]

Monday, October 7, 2013

Dúvida #1

Porque é que o coração, sendo um músculo, não se consegue adaptar à dor?

Saturday, October 5, 2013

To be, or not to be

Estar ou não estar. Sentir ou não sentir.

Agradecer ao acaso o acaso.

Resignar-se com a brevidade.

Resignar-se.

Saturday, September 21, 2013

A Saturday of one’s own

Acordar às 10.00, mas ficar na cama até às 11.30. Levantar-se, fazer café, torradas e come-las acompanhadas do batido de frutas caseiro.

Jogar um jogo pateta no iPad, enquanto as torradas ficam prontas, fartar-me do jogo, ligar o computador. Limpar o e-mail pessoal das newsletters que não sei bem porque as subscrevi, se raras vezes são abertas. Abrir o Facebook, ver os vídeos que os amigos linkaram, rir e acabar a ver o programa do Conan O’Brien em que o Louis C.K. foi convidado.

Saber que há almoço para preparar, roupa para por a lavar, casa a arrumar e ainda assim, não me preocupar.

Mudar da mesa da cozinha para o sofá, rir um pouco mais, visitar tumblrs como o Better Book Titles, rir e conhecer novos livros, tomar nota, arranjar as unhas preguiçosamente enquanto leio e me sinto verdadeiramente satisfeita. Depois de um par de semanas em que o mal estar físico imperou e afectou o sistema mais querido do corpo – o digestivo –, diria que isto se aproxima de um sábado perfeito.

Thursday, September 19, 2013

O que importa

O que importa é feito de uma matéria que não se vê, não tem etiqueta com preço e pode perder-se num instante.

Ainda assim, é o que importa.

É breve. Acontece rápido.

Tenho tido sorte. Tenho tido coisas importantes na vida.

Muitos não terão.

Sei das minhas dádivas.

Espero apenas não as desiludir.

Sunday, September 15, 2013

Sabes que a tua semana foi uma merda, porque...

Na segunda, passaste mal. Na terça, acabaste o dia a auto-flagelar-te mentalmente pelas dificuldades que te auto-impões e que só servem para te complicar a vida inutilmente. Na quarta, ao jantar, sentias-te uma fracassada. Na quinta, fizeste molho de tomate para o jantar e juntaste malaguetas a mais. Na sexta, já na passagem para sábado, tiveste notícia de que fizeste asneira e reiteraste mentalmente o fracasso que és. No sábado à tarde sentiste-te impotente. À noite, o jantar em família içou o ânimo. No domingo, regressaste a casa e deste por ti a registar a porcaria de semana que tiveste e a descobrir que este blogue teve 114 visualizações só ontem. E chegaste à conclusão que há muita gente que deve ter muito tempo livre ou é distraída, para ter cá vindo parar. E que apesar de distraídas ou de se terem enganado, ter olhos que passem por este estaminé não é a felicidade, mas ajuda.

Saturday, September 14, 2013

Acto de contrição

Da responsabilidade. E, já agora, da responsabilização: importa deixar uma nota mental, que me sirva e que possa ser tomada por quem lhe aprouver: a culpa, no final, de tudo o que acontece é minha. [Vossa, nos vossos casos.] Quer sejam palavras, actos ou omissões, a responsabilidade é minha. Principalmente pelas omissões, pelo que não é dito. Pelo que se cala. Pelo que se retrai. Tudo parte de nós, e como a serpente, que come o seu rabo, símbolo do início e do fim, da continuidade, também nós criamos o que nos acontece. Somos o princípio, a causa e sofremos o fim, a consequência. Criamos a nossa própria continuidade e eu... eu afundar-me-ei na minha própria culpa, pela qual sou inteiramente responsável.

Thursday, July 11, 2013

Sem número, número 17

Tanto por resolver e já tão próxima dos 30. Às vezes questiono-me se além dos problemas imediatos e quotidianos, que resultam das vivências que acumulamos, será possível resolver questões mais profundas, as que datam de décadas anteriores a esta e sobre as quais partimos durante anos para agirmos em relação aos outros e a nós próprios. Temo um pouco - sempre fui muito medrosa, não é novidade temer o que quer que seja - não conseguir alterar esses pedregulhos da minha conduta. Mas depois penso no Acordo Ortográfico e ganho algum ânimo: durante quase 22 anos aprendi a escrever de uma forma específica e pratiquei essa ortografia com afinco. Depois de ter sido forçada a recorrer ao Novo Acordo Ortográfico (NAO), fui interiorizando as mudanças nas palavras - físicas apenas, salve-se isso - e, apesar da minha resistência, dou por mim muitas vezes aplicando a nova ortografia. Nunca pensei dizer isto, nem nunca pensei abençoar o NAO, mas hoje, ao reflectir sobre o ego (o conceito do Freud), senti esperança ao pensar no modo como escrevo as palavras que mudaram. E talvez mesmo a forma de agir mais errada que esteja enraizada possa, na verdade, ser alterada. É apenas uma questão de treino. E de erosão - um bonito fenómeno geológico. Além disso, a minha avó sempre disse: «Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura».