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Sunday, November 2, 2014
Sem número, número 27
Quando em Firenze, nas primeiras semanas ouvia-se muito rádio, tentando compreender que música se escutaria por aquelas terras. Numa das estações, todas as manhãs eram inauguradas com um rol de músicas em que o amor era um lamento e os corações irremediavelmente partidos, para nunca mais se esquecer. Uma coisa mais ou menos assim:
Friday, September 19, 2014
Sem número, número 25
Pequenos passos podem conduzir a uma longa e feliz caminhada. E nunca uma cantiga me fez sentir tão feliz.*
*Nem sempre se percebe a dimensão do puzzle, mas é sempre bom quando se consegue encaixar mais uma peça, por mais insignificante que possa ser ou parecer.
Wednesday, December 19, 2012
Frase do Dia #36
Meditando sobre o objecto do jantar, que envolveria pequenos pedaços trucidados de um chouriço, eis que penso sobre os prazeres da carne e da comida, no geral. Assoma ao pensamento a visita do senhor Palomar ao talho, durante uma ida às compras, como nos conta Italo Calvino:
«Um sentimento não exclui o outro: o estado de alma de Palomar na bicha do talho é simultaneamente de alegria contida e de temor, de desejo e de respeito, de preocupação egoísta e de compaixão universal, o estado de alma que outros talvez exprimam na oração.»
É por isto que os prazeres e as tentações da carne andam de mãos dadas com a religião.
(Já Fellini dizia que isso tudo se concentrava em Roma - filme e cidade -, algures entre os devoradores de pasta, as prostitutas e os desfiles de moda religiosa.)
«Um sentimento não exclui o outro: o estado de alma de Palomar na bicha do talho é simultaneamente de alegria contida e de temor, de desejo e de respeito, de preocupação egoísta e de compaixão universal, o estado de alma que outros talvez exprimam na oração.»
É por isto que os prazeres e as tentações da carne andam de mãos dadas com a religião.
(Já Fellini dizia que isso tudo se concentrava em Roma - filme e cidade -, algures entre os devoradores de pasta, as prostitutas e os desfiles de moda religiosa.)
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Sem número, número 10
era de Magritte que me recordava, do Império das Luzes.
foi com esse quadro que sonhei naquela noite.
mas era natural, pois nessa noite finalmente repousara em casa depois da viagem a Veneza.
Veneza, que anos antes me fascinara à chegada.
mal pus os pés fora da estação e me depararei com o canal, tive consciência que, de facto, a cidade existia.
é algo que me acontece com frequência.
só compreendo que determinadas coisas existem quando entram pelos olhos dentro.
por isso tenho errado tanto.
com as pessoas principalmente.
(isso é o que mais me preocupa.)
li algures uma vez que os japoneses são exímios em valorizar o erro.
consideram-no algo positivo, dizem que impulsiona o processo evolutivo.
é uma oportunidade de aprendizagem.
nós, em contrapartida, condenamo-lo, reprimimo-lo e desprezamos todo o fracasso.
também já interiorizei essa ideia.
e por isso tenho pavor de falhar.
e, ao sentir-me assim, sei-me incompetente.
incompetente porque não tenho capacidade para lidar com o fracasso.
sinto-me débil, susceptível.
e creio que é isso que se sente quando se tem medo.
e eu tenho muito medo.
e quanto mais medo tenho, mais medo de ter medo sinto.
porque o medo é paralizante.
há quem diga que o medo não é tão mau, pois faz-nos ponderar e pensar.
talvez seja verdade.
impede a impulsividade.
e ao sermos impulsivos incorremos, frequentemente, no erro.
e já sabemos o que o erro, entre nós, implica.
foi com esse quadro que sonhei naquela noite.
mas era natural, pois nessa noite finalmente repousara em casa depois da viagem a Veneza.
Veneza, que anos antes me fascinara à chegada.
mal pus os pés fora da estação e me depararei com o canal, tive consciência que, de facto, a cidade existia.
é algo que me acontece com frequência.
só compreendo que determinadas coisas existem quando entram pelos olhos dentro.
por isso tenho errado tanto.
com as pessoas principalmente.
(isso é o que mais me preocupa.)
li algures uma vez que os japoneses são exímios em valorizar o erro.
consideram-no algo positivo, dizem que impulsiona o processo evolutivo.
é uma oportunidade de aprendizagem.
nós, em contrapartida, condenamo-lo, reprimimo-lo e desprezamos todo o fracasso.
também já interiorizei essa ideia.
e por isso tenho pavor de falhar.
e, ao sentir-me assim, sei-me incompetente.
incompetente porque não tenho capacidade para lidar com o fracasso.
sinto-me débil, susceptível.
e creio que é isso que se sente quando se tem medo.
e eu tenho muito medo.
e quanto mais medo tenho, mais medo de ter medo sinto.
porque o medo é paralizante.
há quem diga que o medo não é tão mau, pois faz-nos ponderar e pensar.
talvez seja verdade.
impede a impulsividade.
e ao sermos impulsivos incorremos, frequentemente, no erro.
e já sabemos o que o erro, entre nós, implica.
não é o Império das Luzes. mas podia ser
24 de Outubro de 2005
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Tuesday, November 6, 2012
Tesourinho deprimente #2
Piaggio I e II, algures entre 11 e 15 de Setembro de 2005. Este era o veículo de transporte do incorniciatore vizinho, que morava dois números abaixo do prédio do nosso apartamento. Não, não estou a chamar nomes a ninguém: um incorniciatore é um emoldurador. Na fotografia I não se vê bem, mas na montra estavam algumas daquelas molduras grandes e douradas que costumam ser usadas em quadros de museu. Uma coisa bem à Renascença, bem típico de Florença.
Piaggio III, algures em Janeiro de 2009. No meu regresso a Florença, volvidos três anos, não podia deixar de passar naquela que foi a minha rua durante algum tempo. E lá estava o mesmo veículo do senhor emoldurador. Estacionado exactamente no mesmo sítio onde estava há três anos. É o tipo de cena que faz pensar que realmente ele há coisas que nunca mudam.
Saturday, October 27, 2012
Tesourinho deprimente #1 ou série «Das coincidências»
Porcellino I, Março/Abril 2003. Veio uma vaga de calor - contrariando a previsão da vaga de frio - que tornou todos os casacos que levava obsoletos e me fez usar a mesma t-shirt durante alguns dias.
Porcellino II, Setembro 2005. Estava à procura de casa em Florença. Iria acabar por morar em San Frediano, no Oltrarno, bem perto de onde ainda hoje se situa uma das velhas portas da cidade.*
Porcellino III, Janeiro 2009. Fui a Florença cerca de três anos depois de ter deixado a cidade. Já não há comboios que não sejam o Eurostar a ligar directamente Milão a Florença. Fiz a viagem «partida» mas, por causa do forte nevoeiro, acabei por perder o comboio que deveria ter apanhado em Parma. Queria evitar o Eurostar e acabei por viajar nele a partir de Bolonha até Florença. Regressar foi esquisito como o raio.
*A t-shirt é a mesma, apesar de em 2005 ter 25 quilos de roupa para vestir nos meses que se seguiam.
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