Sem olhar para datas, para evitar receios, depressões e hesitações, e porque quem vai para o mar avia-se em terra, antecipei as férias escolhendo meia dúzia de livros para levar comigo. Na verdade são mais de seis, e não peçam grande critério. São livros que já começaram a ser lidos e que ficaram a meio e, portanto, têm de ser recomeçados do início, outros foram escolhidos porque a curiosidade deve ser satisfeita, e uns porque simplesmente foram achados perdidos no meio de outros e não merecem ser discriminados.
O Labirinto da Saudade Psicanálise Mítica do Destino Português, Eduardo Lourenço: está na estante desde o segundo ou terceiro ano da faculdade e foi lido, pela última vez, corria o verão de 2006. Para aprender algo de interessante, lá vai ele, novamente, nove anos depois (não deprimas, não deprimas).
a estrada curva, jorge vaz nande: são pequenos contos e, honestamente, já nem sei bem como chegou a mim. Também deve ter uma qualquer relação com os meus tempos de faculdade, porque tanto quanto sei, foi colaborador d'A Cabra. É pequenino e estava perdido no meio de uma estante em casa dos meus pais, mas não é por isso que é menos do que os outros.
Anthology of Black Humour, André Breton: primeiro veio a Nadja. Como L'Amour Fou não se achava em livraria alguma, encontrei-me um dia na Almedina Saldanha com este e, passados cinco anos, depois de iniciada a leitura, achei que estava na altura de avançarmos na nossa relação.
Isto Não é Um Conto, AA.VV.: mais recente, apesar do tema difícil, tem uma história pessoal/laboral a ele associada e é um dos poucos vestígios positivos desse período mais complicado da minha vida.
Tabacaria, Álvaro de Campos: é uma forma de me convencer que até leio poesia e é um clássico.
O Desaparecido (aka Amerika na versão anglo-saxónica), Franz Kafka: porque há coisas que têm início e precisam de ser terminadas para que nunca mais nos voltem a assombrar. E nada disto tem que ver com o pobre Kafka, que nunca chegou a terminar o livro, nem nunca viu a última vontade respeitada (como este livro o testemunha).
Ursamaior, Mário Cláudio: espero que não seja o único título desta trilogia com nome de constelações que leio, mas há que começar por algum lado.
Ficções de Humor, AA.VV.: faltava-me este de entre todos os números «especiais» da revista. E pronto, porque dá sempre jeito um livro de contos, principalmente se tiver piada.
Fora isto, ainda devo andar a ler La famosa invasione degli orsi in Sicilia, do Dino Buzzati, livrinho que já merecia uma tradução para o português. Assim naquela.
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Tuesday, September 1, 2015
Thursday, January 3, 2013
Lista #9: Livros lidos desde o início até metade do ano em que nos encontrávamos antes [Take 2]
O ano passou já, mas posso continuar a listar os livrinhos que fui lendo ao longo do ano passado ao ritmo que bem me apetecer.
O Crocodilo, Fiódor Dostoiévski: O Crocodilo é um livrinho pequenininho que relata a história de um senhor que, um dia, em Moscovo, cai na boca de um crocodilo - ninguém adivinharia - e por lá fica, mandando uns bitaites sobre o mundo e coisas assim. É hilariante. Nunca pensei que o o amigo Fiódor fosse capaz de tanto humor.
Alien, O Oitavo Passageiro, Alan Dean Forster: como tenho uma história pessoal conflituosa com os filmes - que não vi na totalidade, ainda - achei que ler o filme era capaz de ser uma boa ideia. E além disso, o livro por lá andava perdido numa estante, achei melhor ver o que tinha dentro.
Vinte e Seis e Mais Uma, Máximo Gorki: são duas histórias e não são feitas para rir. É muito triste, na verdade. Mas o homem escrevia que era uma categoria, ó sim.
No Rasto do Corsário Coja Acém, Fernão Mendes Pinto: acho que em 2008, que foi quando comprei o livro, comecei logo a lê-lo [aliás, lembro-me de estar na sala de espera do gabinete do dentista a tentar concentrar-me na leitura apesar do barulho daquelas coisas horrendas que nos metem na boca]. Mas só este ano voltei a lê-lo desde o início até ao fim. Desgraçado Fernão, que tanta desventura sofreu pela Ásia. [Hum... isto recorda-me alguém...]
O Pátio Maldito, Ivo Andríc: depois de lê-lo, coisa que me agradou bastante, apesar de ter sido lido nas 5/6 horas em que estive à espera de ser atendida no Centro de Emprego, achei curioso o modo como o senhor parece abordar/recriar personagens que são moldadas pelos espaços/lugares onde estão e/ou vivem. Mas deve ser natural, dada a nacionalidade do senhor e o período histórico em que viveu. E sim, gosto muito.
O Crocodilo, Fiódor Dostoiévski: O Crocodilo é um livrinho pequenininho que relata a história de um senhor que, um dia, em Moscovo, cai na boca de um crocodilo - ninguém adivinharia - e por lá fica, mandando uns bitaites sobre o mundo e coisas assim. É hilariante. Nunca pensei que o o amigo Fiódor fosse capaz de tanto humor.
Alien, O Oitavo Passageiro, Alan Dean Forster: como tenho uma história pessoal conflituosa com os filmes - que não vi na totalidade, ainda - achei que ler o filme era capaz de ser uma boa ideia. E além disso, o livro por lá andava perdido numa estante, achei melhor ver o que tinha dentro.
Vinte e Seis e Mais Uma, Máximo Gorki: são duas histórias e não são feitas para rir. É muito triste, na verdade. Mas o homem escrevia que era uma categoria, ó sim.
No Rasto do Corsário Coja Acém, Fernão Mendes Pinto: acho que em 2008, que foi quando comprei o livro, comecei logo a lê-lo [aliás, lembro-me de estar na sala de espera do gabinete do dentista a tentar concentrar-me na leitura apesar do barulho daquelas coisas horrendas que nos metem na boca]. Mas só este ano voltei a lê-lo desde o início até ao fim. Desgraçado Fernão, que tanta desventura sofreu pela Ásia. [Hum... isto recorda-me alguém...]
O Pátio Maldito, Ivo Andríc: depois de lê-lo, coisa que me agradou bastante, apesar de ter sido lido nas 5/6 horas em que estive à espera de ser atendida no Centro de Emprego, achei curioso o modo como o senhor parece abordar/recriar personagens que são moldadas pelos espaços/lugares onde estão e/ou vivem. Mas deve ser natural, dada a nacionalidade do senhor e o período histórico em que viveu. E sim, gosto muito.
Monday, September 17, 2012
Lista #9: Livros lidos desde o início até à metade do ano em que nos encontramos [Take 1]
Com interregnos literários pelo meio, pois, quando o tempo abunda, com frequência apetece apenas inserir a cabeça num buraco, qual avestruz. Claro que é um desejo arriscado: nunca se sabe quando o buraco poderá ser um ninho de vespas gigante. -.-
As Teorias Selvagens, Pola Oloixarac: já aqui falei um pouco do livro e acho que se continuar a dissertar sobre os jovens argentinos inteligentes, mas feios, que vivem neste livro, talvez acabe por matar o interesse alheio. De qualquer modo, gostei do retrato particular deste moço e moça argentinos, de Buenos Aires, que, apesar de tudo, devem configurar alguns dos indivíduos que devem compor o tecido alternativo da capital argentina.
Contra o Fanatismo, Amos Oz: este andava escondido algures numa filinha de livros há alguns anos. É livro de pequenas dimensões, ofertado na compra de um jornal Público de um dia que já esquecido na minha memória. Parece que é uma breve compilação de uns textinhos redigidos pelo senhor autor proferidos em conferências e coisas que tais. Mas é bom de se ler. Mais não seja para se poder conhecer a perspectiva de um israelita lúcido em relação ao conflito israelo-árabe.
Wunderkind, Carson McCullers: quando se gosta de determinados autores, creio ser natural buscarmos todos os títulos publicados com o seu nome. Esta prenda oferecida no ano passado, pelo final de Maio, só se leu no início deste ano, mas valeu a pena. Como já aqui apontei algures no blogue, tem até umas coisas bonitas escritas, que valem a pena ler. É uma compilação de uns poucos - cinco, se não estou em erro - contos da autora, publicados recentemente pela Penguin numa colecção que reúne outros contos ou textos breves de grandes autores.
À Volta da Lua, Jules Verne: é um daqueles livritos velhinhos - quase a cair, na verdade, não sei se da idade, se dos próprios materiais de confecção, se dos dois - da Europa-América, no qual peguei uma vez ou duas desde que o ganhei em qualquer coisa na escola (ainda no tempo do básico). Na altura, pequena, iniciei a leitura desta sequela de Da Terra à Lua e assustei-me e desisti da leitura quando vi umas quantas equações matemáticas para mim equivalentes a russo. Este ano, ao limpar estantes e prateleiras, voltei a cruzar-me com ele e achei que devia ler o livro, mais não fosse para me maravilhar com as previsões do autor. E as equações não me morderam.
Ficções de Guerra, vários: à distância, é sempre difícil lembrar todos os contos e todos os autores que lemos. Mas houve um em particular cuja leitura apreciei bastante. Uma breve pesquisa via Google permite-me saber o nome do autor português que assina o conto de que mais gostei: José Martins Garcia. Este desconhecido contribui com «Performance», uma história breve, mas plena de humor de «um homem que, chegado a um aquartelamento na selva, não tem cama onde dormir». Apesar de apenas possuir uma vaga ideia do que foi a Guerra Colonial, este conto contraria tudo o que se poderia esperar de uma narrativa sobre o conflito. Vale tão a pena. Tenho de encontrar o livro que inclui este conto, Katafaraum é uma Nação. Tenho mesmo.
[E foi isto que aconteceu até Abril. Pede-se desculpa pelo atraso, mas sou pessoa com uma vida - quer dizer, às vezes - para viver.]
As Teorias Selvagens, Pola Oloixarac: já aqui falei um pouco do livro e acho que se continuar a dissertar sobre os jovens argentinos inteligentes, mas feios, que vivem neste livro, talvez acabe por matar o interesse alheio. De qualquer modo, gostei do retrato particular deste moço e moça argentinos, de Buenos Aires, que, apesar de tudo, devem configurar alguns dos indivíduos que devem compor o tecido alternativo da capital argentina.
Contra o Fanatismo, Amos Oz: este andava escondido algures numa filinha de livros há alguns anos. É livro de pequenas dimensões, ofertado na compra de um jornal Público de um dia que já esquecido na minha memória. Parece que é uma breve compilação de uns textinhos redigidos pelo senhor autor proferidos em conferências e coisas que tais. Mas é bom de se ler. Mais não seja para se poder conhecer a perspectiva de um israelita lúcido em relação ao conflito israelo-árabe.
Wunderkind, Carson McCullers: quando se gosta de determinados autores, creio ser natural buscarmos todos os títulos publicados com o seu nome. Esta prenda oferecida no ano passado, pelo final de Maio, só se leu no início deste ano, mas valeu a pena. Como já aqui apontei algures no blogue, tem até umas coisas bonitas escritas, que valem a pena ler. É uma compilação de uns poucos - cinco, se não estou em erro - contos da autora, publicados recentemente pela Penguin numa colecção que reúne outros contos ou textos breves de grandes autores.
À Volta da Lua, Jules Verne: é um daqueles livritos velhinhos - quase a cair, na verdade, não sei se da idade, se dos próprios materiais de confecção, se dos dois - da Europa-América, no qual peguei uma vez ou duas desde que o ganhei em qualquer coisa na escola (ainda no tempo do básico). Na altura, pequena, iniciei a leitura desta sequela de Da Terra à Lua e assustei-me e desisti da leitura quando vi umas quantas equações matemáticas para mim equivalentes a russo. Este ano, ao limpar estantes e prateleiras, voltei a cruzar-me com ele e achei que devia ler o livro, mais não fosse para me maravilhar com as previsões do autor. E as equações não me morderam.
Ficções de Guerra, vários: à distância, é sempre difícil lembrar todos os contos e todos os autores que lemos. Mas houve um em particular cuja leitura apreciei bastante. Uma breve pesquisa via Google permite-me saber o nome do autor português que assina o conto de que mais gostei: José Martins Garcia. Este desconhecido contribui com «Performance», uma história breve, mas plena de humor de «um homem que, chegado a um aquartelamento na selva, não tem cama onde dormir». Apesar de apenas possuir uma vaga ideia do que foi a Guerra Colonial, este conto contraria tudo o que se poderia esperar de uma narrativa sobre o conflito. Vale tão a pena. Tenho de encontrar o livro que inclui este conto, Katafaraum é uma Nação. Tenho mesmo.
[E foi isto que aconteceu até Abril. Pede-se desculpa pelo atraso, mas sou pessoa com uma vida - quer dizer, às vezes - para viver.]
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Wednesday, July 11, 2012
Coisas que me tiram do sério [sempre em actualização]
Ou que me irritam profundamente, ou apenas fazem praguejar:
#1 - O Sapo Blogs estar sempre a «emperrar» e/ou dar erro.
#2 - A Amazon estar constantemente a anunciar inovações e/ou alterações ao Kindle Fire: só falta integrarem um microondas e um canivete suíço.
#3 - Fifty Shades of Grey e todos os artigos/posts/notícias que dizem coisas como «o que significa o sucesso do livro», «vende triliões e bate recordes» e tudo o que analisa «o fenómeno»: pessoal, há mais coisas no mundo e mais importantes que um livro cujo género é apelidado de «mommy porn».
#4 - Tudo o que diga respeito ao Relvas.
#5 - Os lábios da Lana del Rey: aquilo parece o resultado de uma queda de cara no chão (quando era pequena caí de cara no chão e fiquei com o lábio inchado como o dela).
#6 - A estúpida alergia que o meu corpo resolveu fazer a um antibiótico.
#7 - As falhas da minha Internet e, na generalidade, todos os serviços de telecomunicações que prosperam, apesar de fornecerem um serviço de má qualidade e explorarem os clientes.
#8 - Ser forçada a usar o Internet Explorer, porque não consigo recorrer ao mesmo serviço de e-mail num só browser.
#9 - Traduções manhosas em filmes, blogues, artigos de jornais on-line (não vou sequer referir nomes...), tipo «textbook: livro-texto». WTF?
#1 - O Sapo Blogs estar sempre a «emperrar» e/ou dar erro.
#2 - A Amazon estar constantemente a anunciar inovações e/ou alterações ao Kindle Fire: só falta integrarem um microondas e um canivete suíço.
#3 - Fifty Shades of Grey e todos os artigos/posts/notícias que dizem coisas como «o que significa o sucesso do livro», «vende triliões e bate recordes» e tudo o que analisa «o fenómeno»: pessoal, há mais coisas no mundo e mais importantes que um livro cujo género é apelidado de «mommy porn».
#4 - Tudo o que diga respeito ao Relvas.
#5 - Os lábios da Lana del Rey: aquilo parece o resultado de uma queda de cara no chão (quando era pequena caí de cara no chão e fiquei com o lábio inchado como o dela).
#6 - A estúpida alergia que o meu corpo resolveu fazer a um antibiótico.
#7 - As falhas da minha Internet e, na generalidade, todos os serviços de telecomunicações que prosperam, apesar de fornecerem um serviço de má qualidade e explorarem os clientes.
#8 - Ser forçada a usar o Internet Explorer, porque não consigo recorrer ao mesmo serviço de e-mail num só browser.
#9 - Traduções manhosas em filmes, blogues, artigos de jornais on-line (não vou sequer referir nomes...), tipo «textbook: livro-texto». WTF?
Friday, February 24, 2012
Saturday, February 11, 2012
When life gives you lemons... #1
...you make lemon juice and get slimmer.*
*Not mad at life. Just trying to prove I'm smarter than it is.
Wednesday, February 1, 2012
Lista #8: Não ter trabalho dá muito trabalho
Uma lista sobre os trabalhos empreendidos para conseguir sobreviver à ausência de trabalho remunerado - e isto sem chegar à cansativa fase de entrevista.
1 - Rever, reler e corrigir um CV implica paciência e uma boa memória, além de resistência psicológica: relembrar as más experiências laborais passadas traz alguns instintos psicóticos à superfície. Subitamente, fica-se com vontade de criar bonequinhos de vodoo de antigos chefes e picá-los com agulhas e alfinetes.
2 - Criar contas em sites de emprego é uma seca. Implicam 264 passos até a criação do nosso perfil estar completa e, para que a busca de empregos compatíveis com o nosso perfil seja eficaz, acabamos por receber muito lixo na caixa de correio. Mais um exercício de paciência, naturalmente.
3 - Escrever cartas de apresentação e/ou motivação é equivalente a um esfaqueamento auto-infligido com um alicate de unhas. É doloroso aos bocadinhos e implica coragem - para mim, pelo menos, que sou muito má a fazê-lo (Porque me incutiu a minha mãe aquela ideia de que mentir é feio, quando, na verdade, é tão necessário, principalmente em ocasiões como estas? Agora, esse pensamento ficou enraizado na minha cabeça e contrariá-lo torna-se muito difícil. -.-)
4 - Acordar todos os dias para fazer isto é um exercício de auto-domínio: não apetece sair do quentinho para o frio, enfrentar uma caixa de correio vazia e repetir as mesmas acções diariamente sem ter um ataque de raiva.
5 - Encontrar tarefas que ocupem os espaços vazios que decorrem depois da busca de oportunidades de emprego diárias. Ao fim de duas semanas, tarefas domésticas como passar roupa a ferro, estender roupa, arrumar roupa, arrumar cozinha, fazer camas e arrumar quartos tornam-se excruciantes, assim como actividades que deveriam ser prazenteiras, como ler, escrever, ver filmes e comer se transformam em verdadeiros sacrifícios, dada a abundância de tempo ocioso. Conclusão: tudo o que é demais, cansa. Até o tempo livre.
1 - Rever, reler e corrigir um CV implica paciência e uma boa memória, além de resistência psicológica: relembrar as más experiências laborais passadas traz alguns instintos psicóticos à superfície. Subitamente, fica-se com vontade de criar bonequinhos de vodoo de antigos chefes e picá-los com agulhas e alfinetes.
2 - Criar contas em sites de emprego é uma seca. Implicam 264 passos até a criação do nosso perfil estar completa e, para que a busca de empregos compatíveis com o nosso perfil seja eficaz, acabamos por receber muito lixo na caixa de correio. Mais um exercício de paciência, naturalmente.
3 - Escrever cartas de apresentação e/ou motivação é equivalente a um esfaqueamento auto-infligido com um alicate de unhas. É doloroso aos bocadinhos e implica coragem - para mim, pelo menos, que sou muito má a fazê-lo (Porque me incutiu a minha mãe aquela ideia de que mentir é feio, quando, na verdade, é tão necessário, principalmente em ocasiões como estas? Agora, esse pensamento ficou enraizado na minha cabeça e contrariá-lo torna-se muito difícil. -.-)
4 - Acordar todos os dias para fazer isto é um exercício de auto-domínio: não apetece sair do quentinho para o frio, enfrentar uma caixa de correio vazia e repetir as mesmas acções diariamente sem ter um ataque de raiva.
5 - Encontrar tarefas que ocupem os espaços vazios que decorrem depois da busca de oportunidades de emprego diárias. Ao fim de duas semanas, tarefas domésticas como passar roupa a ferro, estender roupa, arrumar roupa, arrumar cozinha, fazer camas e arrumar quartos tornam-se excruciantes, assim como actividades que deveriam ser prazenteiras, como ler, escrever, ver filmes e comer se transformam em verdadeiros sacrifícios, dada a abundância de tempo ocioso. Conclusão: tudo o que é demais, cansa. Até o tempo livre.
Wednesday, January 25, 2012
Lista #7: Livros lidos desde Abril deste ano* e alguns sobre os quais não me pretendo pronunciar - Parte II
11 - O Amante, Marguerite Duras: saí cheia de expectativa e, afinal, não me trouxe nada que me aprouvesse neste diário íntimo da jovem moça. Mas como de costume, nada como ler para crer.
12 - O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco: vale pelo facto de Eco ser um cultíssimo estudioso e pela propriedade com que escreve sobre os temas abordados. Além de que a temática subjacente vai mais além das típicas conspirações Vaticano-Opus Dei de uns quantos outros que escrevem dentro do género e que para aí andam.
13 - O Historiador, Elizabeth Kostova: livro grande, daqueles com 600 páginas, feito para ler na praia, ou noutro local qualquer, de barriga para o ar. Tem os elementos que nos fazem virar a página e a narrativa é previsível. Bom para passar tempo.
14 - La Coca, José Rentes de Carvalho: o livro das férias, em todos os sentidos. Rentes de Carvalho leva-nos do Minho à Holanda, e eu levei-o - ao livro - de Viana do Castelo a Amesterdão. O narrador fala da sua infância no Norte de Portugal e eu recordo a minha criancice com o meu avô minhoto. Talvez por isso seja suspeita, quando declaro que tanto gostei do livro.
15 - Le Secret de l'Espadon, E. P. Jacobs: comecei ao contrário - primeiro os episódios da animação depois o livro -, mas não me posso queixar: já mal me recordo do que vi. Foi bom, primeiro que tudo, para perceber que o francês não se esqueceu e também para me divertir um pouco com um livro de aventuras.
16 - Uma Conspiração de Estúpidos, John Kennedy Toole: e a propósito de divertimento, não podia deixar este de fora. Foi o livro que mais me fez rir nos últimos tempos. Ignatius Reilly é inesquecível e apesar de passarmos a maior parte do livro a tentar perceber o motivo do título, no final, as peças encaixam e há, efectivamente, uma conspiração de «estúpidos».
17 - A Trilogia de Nova Iorque, Paul Auster: acho que Paul Auster não faz o meu tipo. Demasiados detectives, demasiados problemas de identidade.
18 - Sputnik, Meu Amor, Haruki Murakami: outro que me passou um pouco ao lado. Li-o com grande velocidade, tentando compreender onde era suposto chegar, mas quando lá cheguei fiquei bastante desiludida. Não sei ainda se Murakami faz o meu género. Mas dar-lhe-ei uma hipótese: Norwegian Wood repousa na secretária.
19 - O Memorial do Convento, José Saramago: é belo, muito belo. Apreciei o contraste entre classes, enamorei-me da história de Baltasar e Blimunda. Confesso com alguma vergonha que Saramago ainda não entrara na minha dieta literária, mas depois desta maravilhosa experiência, será regular.
20 - As Teorias Selvagens, Pola Oloixarac: this is a work in progress. Quando terminar, dou notícias.
* Deste ano que era 2011 e já passou a 2012.
12 - O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco: vale pelo facto de Eco ser um cultíssimo estudioso e pela propriedade com que escreve sobre os temas abordados. Além de que a temática subjacente vai mais além das típicas conspirações Vaticano-Opus Dei de uns quantos outros que escrevem dentro do género e que para aí andam.
13 - O Historiador, Elizabeth Kostova: livro grande, daqueles com 600 páginas, feito para ler na praia, ou noutro local qualquer, de barriga para o ar. Tem os elementos que nos fazem virar a página e a narrativa é previsível. Bom para passar tempo.
14 - La Coca, José Rentes de Carvalho: o livro das férias, em todos os sentidos. Rentes de Carvalho leva-nos do Minho à Holanda, e eu levei-o - ao livro - de Viana do Castelo a Amesterdão. O narrador fala da sua infância no Norte de Portugal e eu recordo a minha criancice com o meu avô minhoto. Talvez por isso seja suspeita, quando declaro que tanto gostei do livro.
15 - Le Secret de l'Espadon, E. P. Jacobs: comecei ao contrário - primeiro os episódios da animação depois o livro -, mas não me posso queixar: já mal me recordo do que vi. Foi bom, primeiro que tudo, para perceber que o francês não se esqueceu e também para me divertir um pouco com um livro de aventuras.
16 - Uma Conspiração de Estúpidos, John Kennedy Toole: e a propósito de divertimento, não podia deixar este de fora. Foi o livro que mais me fez rir nos últimos tempos. Ignatius Reilly é inesquecível e apesar de passarmos a maior parte do livro a tentar perceber o motivo do título, no final, as peças encaixam e há, efectivamente, uma conspiração de «estúpidos».
17 - A Trilogia de Nova Iorque, Paul Auster: acho que Paul Auster não faz o meu tipo. Demasiados detectives, demasiados problemas de identidade.
18 - Sputnik, Meu Amor, Haruki Murakami: outro que me passou um pouco ao lado. Li-o com grande velocidade, tentando compreender onde era suposto chegar, mas quando lá cheguei fiquei bastante desiludida. Não sei ainda se Murakami faz o meu género. Mas dar-lhe-ei uma hipótese: Norwegian Wood repousa na secretária.
19 - O Memorial do Convento, José Saramago: é belo, muito belo. Apreciei o contraste entre classes, enamorei-me da história de Baltasar e Blimunda. Confesso com alguma vergonha que Saramago ainda não entrara na minha dieta literária, mas depois desta maravilhosa experiência, será regular.
20 - As Teorias Selvagens, Pola Oloixarac: this is a work in progress. Quando terminar, dou notícias.
* Deste ano que era 2011 e já passou a 2012.
Monday, January 23, 2012
Lista #7: Livros lidos desde Abril deste ano* e alguns sobre os quais não me pretendo pronunciar - Parte I
Em Abril ainda me encontrava a ler livros e papers que reforçassem a parte teórica da dissertação final de mestrado. Mas a necessidade de outras leituras foi mais forte e fui pegando nos livros fininhos da estante para desenjoar. O resultado foi este, por ordem cronológica.
1 - A Tentação do Ocidente, André Malraux: a troca de correspondência entre um chinês na Europa e um europeu na China não é assim tão emocionante quanto pensava. O livro foi lido a custo, embora a perspectiva da personagem chinesa fosse sem dúvida a mais interessante, desiludida com alguns dos traços do pensamento ocidental.
2 - Nadja, André Breton: foi mera coincidência os Andrés serem lidos um após o outro. Há muitas referências a outros surrealistas, nomeadamente a Man Ray, ao longo do texto e o livro acaba por deixar perpassar muitos aspectos característicos do sentimento - será isso, sentimento? - surrealista. No entanto, não sei até que ponto Nadja é uma obra de ficção, ou se assenta em eventos reais. Será uma mistura de ambos, talvez. Honestamente, cheguei ao final a pensar que os indivíduos desta época estavam de facto muito à frente, ou então eram apenas um pouco alterados.
3 - O Japão é Um Lugar Estranho, Peter Carey: o autor de Oscar e Lucinda é um apaixonado pelo País do Sol Nascente e perfeitamente habilitado a escrever sobre ele. O livro foi lido por motivos óbvios - para confrontar a minha percepção do Japão com a do escritor - e o resultado foi bastante satisfatório: as nossas ideias sobre o país são semelhantes, embora a minha estadia por lá tenha sido muito mais breve que a dele.
4 - Nenhum Olhar, José Luís Peixoto: é como se, subitamente, Garcia Márquez tivesse ido até Galveias. E, sim, eu sei, este não foi o seu primeiro romance, mas esse ainda não comprei e, como tal, ainda não li. (Oh, private joke...)
5 - Naïf. Super., Erlend Loe: não conhecia, mas rapidamente compreendi o seu sucesso nos países nórdicos. Embora soe a feel good book, não o é. As verdades difíceis estão todas lá. Custe o que custar. Ah, e claro, oferece soluções práticas para a resolução de problemas, como as famosas tábuas de martelar.
6 - Crónica dos Bons Malandros, Mário Zambujal: a lacuna foi preenchida e originou muitos sorrisos, à época necessários. Foi muito bom conhecer estes bons malandros e as outras histórias que vêm atrás.
7 - Por Este Mundo Acima, Patrícia Reis: o poder dos livros é imenso. E a Patrícia é uma fabulosa contadora de histórias. Por isso não conto mais, leia-na que vale a pena.
8 - A Noite das Mulheres Cantoras, Lídia Jorge: uma escrita límpida e a perspectiva de uma mulher como nunca eu lera. É o seu último livro, poderá, segundo os conhecedores da sua obra, não ser o mais extraordinário, mas foi através dele que Lídia Jorge me foi apresentada e é a partir dele que espero vir a conhecer todos os seus livros anteriores.
9 - o nosso reino, valter hugo mãe: leu-se de um trago, começou-se pelo primeiro. E valeu bem a pena. É triste, mas profundamente belo. Como a escrita do Valter é.
10 - o apocalipse dos trabalhadores, valter hugo mãe: ao contrário d'o nosso reino, que me comoveu, este apocalipse compôs-se de risos. E, embora não seja tão brilhante como o reino, será porventura um dos preferidos.
* Deste ano que era 2011 e já passou a 2012.
1 - A Tentação do Ocidente, André Malraux: a troca de correspondência entre um chinês na Europa e um europeu na China não é assim tão emocionante quanto pensava. O livro foi lido a custo, embora a perspectiva da personagem chinesa fosse sem dúvida a mais interessante, desiludida com alguns dos traços do pensamento ocidental.
2 - Nadja, André Breton: foi mera coincidência os Andrés serem lidos um após o outro. Há muitas referências a outros surrealistas, nomeadamente a Man Ray, ao longo do texto e o livro acaba por deixar perpassar muitos aspectos característicos do sentimento - será isso, sentimento? - surrealista. No entanto, não sei até que ponto Nadja é uma obra de ficção, ou se assenta em eventos reais. Será uma mistura de ambos, talvez. Honestamente, cheguei ao final a pensar que os indivíduos desta época estavam de facto muito à frente, ou então eram apenas um pouco alterados.
3 - O Japão é Um Lugar Estranho, Peter Carey: o autor de Oscar e Lucinda é um apaixonado pelo País do Sol Nascente e perfeitamente habilitado a escrever sobre ele. O livro foi lido por motivos óbvios - para confrontar a minha percepção do Japão com a do escritor - e o resultado foi bastante satisfatório: as nossas ideias sobre o país são semelhantes, embora a minha estadia por lá tenha sido muito mais breve que a dele.
4 - Nenhum Olhar, José Luís Peixoto: é como se, subitamente, Garcia Márquez tivesse ido até Galveias. E, sim, eu sei, este não foi o seu primeiro romance, mas esse ainda não comprei e, como tal, ainda não li. (Oh, private joke...)
5 - Naïf. Super., Erlend Loe: não conhecia, mas rapidamente compreendi o seu sucesso nos países nórdicos. Embora soe a feel good book, não o é. As verdades difíceis estão todas lá. Custe o que custar. Ah, e claro, oferece soluções práticas para a resolução de problemas, como as famosas tábuas de martelar.
6 - Crónica dos Bons Malandros, Mário Zambujal: a lacuna foi preenchida e originou muitos sorrisos, à época necessários. Foi muito bom conhecer estes bons malandros e as outras histórias que vêm atrás.
7 - Por Este Mundo Acima, Patrícia Reis: o poder dos livros é imenso. E a Patrícia é uma fabulosa contadora de histórias. Por isso não conto mais, leia-na que vale a pena.
8 - A Noite das Mulheres Cantoras, Lídia Jorge: uma escrita límpida e a perspectiva de uma mulher como nunca eu lera. É o seu último livro, poderá, segundo os conhecedores da sua obra, não ser o mais extraordinário, mas foi através dele que Lídia Jorge me foi apresentada e é a partir dele que espero vir a conhecer todos os seus livros anteriores.
9 - o nosso reino, valter hugo mãe: leu-se de um trago, começou-se pelo primeiro. E valeu bem a pena. É triste, mas profundamente belo. Como a escrita do Valter é.
10 - o apocalipse dos trabalhadores, valter hugo mãe: ao contrário d'o nosso reino, que me comoveu, este apocalipse compôs-se de risos. E, embora não seja tão brilhante como o reino, será porventura um dos preferidos.
* Deste ano que era 2011 e já passou a 2012.
Tuesday, April 5, 2011
Lista #6: Livros que li algures em 2010 e nos primeiros meses de 2011 - Parte II
(A meio da lista anterior percebi que afinal tinha lido mais uns livrinhos durante estes 14 meses. Seguem os restantes, por ordem alfabética.)
11 - Bartleby, Herman Melville: o escrivão do não, Bartleby é o homem isolado na multidão. Ao contrário das obras iniciais de Melville, com sucesso no seu tempo, Bartleby faz já parte de um conjunto de textos produzidos num período mais sombrio da vida do autor, em que escrevia para tentar sobreviver e não era mais aclamado. Curiosamente, são as obras que não foram aclamadas durante a sua vida, que a memória guardou para a posteridade.
12 - O Livro do Chá, Kakuzo Okakura: incursão à filosofia japonesa a partir do ritual da cerimónia do chá, escrito por um japonês que viveu a maior parte da sua vida entre os ocidentais. Delicado e belo como um jardim de sakuras em flor.
13 - O Falecido Mattia Pascal, Luigi Pirandello: a sinopse, por si só, diz o que é preciso para nos prender ao livro. E foi o que me prendeu parcialmente a este italiano (para mim) desconhecido. Depois veio a escrita de Pirandello e devorou-se o livro num instante. «Witty» é a palavra mais apropriada para descrever o início do livro e a narração de Mattia Pascal, que amadurece à medida que a personagem principal vai também crescendo. Este é, sem qualquer sombra de dúvida, para mim, um dos «greatest books of all time».
14 - Pisar o Risco, Salman Rushdie: foi oferta e não compreendo muito bem porque me foi ofertado. Embora não tivesse tido nenhum contacto com Rushdie, excepto quando jovem me foi dito que Os Versículos Satânicos seriam uma boa prenda para constar de uma biblioteca, abri a mente e os olhos e li-o. Trata-se de um conjunto de textos soltos, ensaios, artigos de opinião publicados em jornais, textos proferidos em conferências, agrupados em torno de dois ou três temas (já não me recordo bem) que contêm frequentemente referências biográficas à vida do senhor Rushdie. Não gostei desta faceta do escritor. Após ter lido o livro "fiquei na mesma". Tê-lo lido não mudou nada e isso nunca é bom sinal, tratando-se de um livro. Apesar de ficar a conhecer com maior detalhe como foi a sua "prisão domiciliária" graças ao Ayatollah e a sua amizade com os U2, que o levou a escrever a letra da cantiga que tem o mesmo nome que um dos livros do senhor - The Ground Beneath Her Feet - é um daqueles livros que facilmente esquecerei que tenho na estante. Porém, devo ser imparcial: o texto inaugural, em que analisa o filme The Wizard of Oz vale a pena. Mas só isso, mesmo.
15 - A Raposa Azul, Sjón: este foi lido em meados de 2010, estou certa, pois recordo-me que o comprei na Feira do Livro de Lisboa, nos primeiros dias de Maio. É pequenino, de um autor islandês, mas a sua verdadeira dimensão reside na grandeza da história. Um pequeno conto que faz uma raposa falar, mas que certamente, pela crueldade dos homens nele descritos, só deve ser lido por adultos. É belo na proporção da fealdade do Homem. (Mas talvez seja suspeita, pois o autor escreveu também as letras do meu musical preferido, Dancer in the Dark.)
16 - O Carteiro de Pablo Neruda, Antón Skarmeta: tenho o péssimo hábito - e já o escrevi e publiquei algures - de ler os livros e ver os filmes. Neste caso, ainda não vi o filme - shame on you!, gritam todos - mas já o li o livro. Quantos de vocês já o terão feito? Pois, foi o que pensei... Gostei de lê-lo. A simplicidade do carteiro Mário fará qualquer um com um coração sorrir.
17 - Paisagem com Grão de Areia, Wislawa Szymborska: foi mais uma incursão na poesia, esta mais difícil, para quem não lia poesia há anos (mas a culpa não é minha: experimentem três anos de Português A com a professora que tive e desenvolvem uma espécie de reflexo condicionado associado à leitura de poesia que vos traz uma sensação terrível, não obstante a harmonia das palavras que estejam a ler - demora anos a ultrapassar!). As palavras da Nobel polaca são doces, mas também irónicas e duras. Um exercício trabalhoso, mas que (re)compensa.
18 - A Mão Ao Assinar Este Papel, Dylan Thomas: uma oferta que abre o espírito. Dylan Thomas recorre a imagens e metáforas belas, mas senti-o sempre sombrio. Tem lugar cativo na mesinha de cabeceira.
19 - A Rosa, Robert Walser: reúne pequenos textos de Walser e expressa na plenitude o seu amor pelos pequenos nadas. É uma boa forma de o conhecer. Depois d'A Rosa, fiquei com sede de Walser. Figura no topo da wishlist literária para depois da tese.
20 - Contos Populares Chineses II, Vários: apesar de "não gostar de pessoas felizes", como disse uma vez ao amigo David, por vezes também necessito de finais felizes não adulterados pela Disney. E é para isso que servem estes contos populares.
Monday, April 4, 2011
Lista #6: Livros que li algures em 2010 e nos primeiros meses de 2011 - Parte I
Não, não me façam mal, a lista é demasiado breve para 14 meses. Sim, bem sei: shame on me, sendo moça que aprecia ler. Talvez me perdoem se disser que creio que a lista está incompleta e se justificar alegando um mestrado que implica demoradas e entediantes leituras? Infelizmente, não me recordo da ordem pela qual foram lidos. Seguem, pois, por ordem alfabética que é mais bonito.
1 - Que Farei Quando Tudo Arde?, António Lobo Antunes: a leitura já havia sido iniciada cerca de cinco anos (!) antes, quando o livro me havia sido ofertado por ocasião do meu vigésimo ou vigésimo primeiro aniversário (não me recordo bem). Na altura li cerca de 100 páginas do livro e, pelas suas dimensões e outras leituras que se impuseram, acabei por não terminar o livro. Finalmente em 2010, nos meses de descanso, li-o todinho de uma assentada e apreciei a escrita do senhor Lobo Antunes em todo o seu esplendor.
2 - O Segredo do Bosque Velho, Dino Buzzati: conheci este autor através do catálogo da Cavalo de Ferro, editora que desde que me deu a conhecer Halldór Laxness sigo com atenção. Passando numa Fnac, à saída, deparo-me com o livro a um preço muito baixo (never underestimate the power of a good book at a low price) e naturalmente não o pude deixar ali: trouxe-o comigo. Foi uma viagem maravilhosa, com personagens mágicas e ventos falantes. Mas aconselhada a graúdos. (Repousa actualmente na mesinha de cabeceira a compilação de contos italiana da Mondadori, Sessanta racconti, igualmente do signor Buzzati.)
3 - O Avesso e o Direito, Albert Camus: foi mesmo adquirido por mim algures em 2009, na altura da Primavera. Pequenino, compilava (e ainda compila!) os primeiros escritos do senhor Camus, o que determinou a compra. Foi lido há pouco tempo, embora não saiba precisar há quanto. Camus teria 22/23 anos (ou uma idade próxima) quando escreveu estes textos. Introduz ele próprio a edição francesa, alguns anos depois, e refere que não se envergonha do que escreveu quando era ainda tão jovem, apesar de se sentir um pouco desconfortável com a nova publicação dos escritos. Apesar da juventude, a luz de Camus já se vislumbra em O Avesso e o Direito. E não deixou de me impressionar com a sua escrita em tão tenra idade.
4 - Um Mover de Mão, Vasco Gato: foi-me recomendado e ofertado. Como tal, conclui que mal não faria voltar à poesia, tantos anos depois. Foi preciso sacudir a poeira dos olhos e do pensamento, mas, efectivamente, correu muito bem. Tão bem, que outros se seguiram. Haja mais mãos e frutos para nos continuar a confortar.
5 - Contos de São Petersburgo, Nikolai Gógol: é mais um livrinho de bolso que a Assírio e Alvim, em conjunto com a Relógio D'Água e a Cotovia me proporcionaram. Reúne de forma prática - para mim - alguns livros que sei que integram parte da colecção Gato Maltês da Assírio. Inclui o famoso conto "O Nariz", assim como "O Capote", que em conjunto ilustram personagens de pouco interesse que centram o seu ser em torno de cada um destes elementos. E é isso que as torna interessantes. Por isso, quando perdem o nariz e o capote sentem-se perdidas e ficam vazias.
6 - Os Passos em Volta, Herberto Hélder: sim, sim, bem sei, clamem mais um sonoro shame on you: não conhecia o Herberto até me ter sido (imposto) dado a ler. Mas foi a mais bela imposição. São belas as suas palavras, belas as suas metáforas, belo, belo, belo.E mais não digo, para que o leiam e sintam com o vosso sentir. Entranha-se e não mais se quer deixá-lo partir. É mantê-lo próximo da mesinha de cabeceira.
7 - Siddharta, Herman Hesse: provavelmente todos já leram o livrinho. Ele andava, desde a altura em que peguei em Marguerita e o Mestre, perdido pelas mesas e estantes de casa, migrando de um lado para outro, à espera que finalmente o lesse. Mas li-o em boa altura, quando a tranquilidade do turbulento percurso de Siddharta era necessária.
8 - O Príncipe, Niccolò Machiavelli: impunha-se, enquanto clássico e só não tinha sido ainda lido, porque ainda não encontrara uma edição "jeitosinha", com um tamanho de letra "jeitosinho" de se ler. No ano passado, fui à Feira do Livro e encontrei a edição da Editorial Presença que possui uma introdução maior que o texto de Machiavelli, com notas de rodapé que preenchem meia página. Fica a dúvida sobre a ironia de Machiavelli caído em desgraça após anos de serviço leal. [Florença não era um sítio fácil naqueles tempos. Que o diga Savonarola (e agora poupo-vos a uma fácil piada mórbida.)]
9 - Tonoharu, Lars Martinson (agora o volume II): saiu no final do ano passado a segunda parte da novela gráfica em quatro volumes da história de um tonto rapaz americano a residir numa pequena cidade japonesa. No final desta parte o rapaz mete-se em trabalhos e vai de férias. Lá vou eu esperar mais um ano para saber o que lhe irá acontecer.
10 - Frankie e o Casamento, Carson McCullers: depois de lido The Heart is a Lonely Hunter, acho que a fasquia estava demasiado alta. Frankie e o Casamento lê-se. Compreendo a narrativa, mas não consegue ser brilhante como o romance anterior.
Thursday, March 31, 2011
Lista #5: As coisas "giras" da biblioteca onde se consomem as horas
Sim (a partir de agora vou começar as minhas frases com um "sim", desde que um amigo me acusou de ser pessimista por começar algumas frases com "não"), as minhas horas de vigília evaporam-se na biblioteca do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa. Portanto, eis a listas de coisas giras que há/se vêem/se fazem na biblioteca.
1 - Procrastinar: nem sempre sou eu que o faço. Mas por vezes basta olhar em volta e ver pessoas que olham o vazio da janela, provavelmente à espera que um dos aviões que passa intermitentemente caia. Ou então que uma ideia genial as atinja.
2 - Dar beijinhos ao namorado/a: definitivamente não sou eu. Mas há casais que o fazem. Vêm para a biblioteca dar beijinhos (é um eufemismo, naturalmente) e abracinhos e mostrar ao mundo (bibliotecário, claro) o quanto se amam.
3 - Dormir: descobri que é recorrente entre os utilizadores deste espaço. O que é compreensível. È suposto ser um lugar tranquilo, de temperatura amena. O único inconveniente parece ser mesmo a luz. Do meu ponto de vista, claro.
4 - Jogar jogos de consola: deduzo que fosse isso que o moço estivesse a fazer, dado que tinha um comando igual ao de uma consola na mão e ligado ao computador.
5 - Ver os aviões passar: a biblioteca do ISCTE é ideal para quem gosta de planespotting. Não sei se se aplica a todas as rotas ou apenas a algumas, mas todos os dias passam por cima da Cidade Universitária dezenas de aviões. Contudo, não me parece que seja isso que perturbe as pessoas que aqui estão.
6 - Ler: bem sei que parece uma actividade estranha para se realizar numa biblioteca, mas é verdade, há aqui pessoas a ler - imaginem! - livros.
7 - Fingir estudar: há quem o faça por falta de motivação para se motivar, ou apenas para se enganar a si próprio. (Garanto que não é o meu caso! As páginas escritas comprovam-no!)
Monday, September 13, 2010
Lista #4: Filmes que ao longo da minha vida me foram influenciando
(As influências das minhas epifanias.)
The English Patient - durante anos, via o filme, ou então apenas um pequeno trecho e transbordava de lágrimas. Naquela altura, era o que me fazia pensar que o amor era bonito e existia. "Do you still wear the thinbal? You silly, I've always did. I've always loved you." E as lágrimas corriam.
Le Fabuleux Destin D'Amélie Poulain - outro que também, durante anos, me convencia que era possível, por mais deslocado ou disfuncional que se fosse, que havia alguém para alguém. Quando fui a Paris, andei à procura de Nino em Monmartre. Não o vi.
Amarcord - foi o reviver de uma infância que não foi a minha, mas de igual inocência. Apesar das partidas, dos risos inconsequentes, aqueles rapazinhos eram simples e provavelmente felizes. E a felicidade, sem pretensões, it's quite rare these days.
I Vitelloni - identifiquei-me com aqueles rapazes. Amigos, grandes amigos, mas uma tremenda "inutilidade" e uma enorme incapacidade de partir. De avançar.
La Meglio Gioventù - as dores de uma família e de dois irmãos, especiais e diferentes. Gostaria de o ter como exemplo para a vida. Que tudo tivesse um fim concertado. Mais ou menos feliz. Mas natural.
Dolls - já aqui o disse, já aqui falei dele. Morreu uma parte de mim. Mas foi uma doçura que se tornou mais forte com essa perda.
2046 - assusta-me. Odeio-os, os timings. Os timings que chegaram numa altura tão imperfeita da vida. Como se pode odiar algo horrível, que, no entanto, nos ajuda a compreender o modo de funcionamento do nosso fluir contínuo? Odeio os timings. Compreendos-os. E por isso os odeio.
Wild at Heart - Lynch não tem pesadelos. Nem é um tipo violento. Os filmes dele são. Mas também há o amor. Esse que, inocentemente, vai resistindo aos ataques contra ele são desferidos. True love waits. E resiste.
A Straight Story - o amor de Lynch. O fraternal. E talvez, para mim, o mais precioso. Ainda que incompreendido.
Italian for Begginers - outro, que desde o início, me fazia crer num sentido oculto da vida. Na ordem no caos. No meio do acaso, da casualidade, eles conhecem-se, apaixonam-se e vivem juntos. Felizes ou não, isso depende da altura.
Breaking the Waves - eu era jovem e bastante ingénua quando alguns filmes me encontraram. Este foi um deles. Chorei, chorei, chorei, como se não houvesse amanhã. É Lars. Sempre coerente consigo próprio.
Tuesday, September 7, 2010
Tuesday, December 8, 2009
Lista #1: Coisas que descobri gostar no dia 7 de Dezembro de 2009
Inspirada por Umberto Eco, que comissiona uma exposição patente no magnífico Louvre de Paris (e creio que não existe outro), que tem como mote as listas, decidi também eu, magnífica produtora de culturas parvas, produzir o meu próprio rol cultural.
Como a ideia me surgiu no dia 7 de Dezembro de 2009, a 17 dias do Natal e a 24 do final do ano, segunda-feira, dia de trabalho, ioga e aulas (cronologicamente ordenados), dia do início daquela reunião que ficará para a História, da Cimeira de Copenhaga, achei que era giro produzir a minha primeira lista neste dia.
E assim, ora cá vai:
Lista #1 - Coisas que descobri gostar no dia 7 de Dezembro de 2009
1 - Ser a primeira a acordar, enquanto todos dormem.
2 - Sentir água quente jorrar nas costas.
3 - Que o céu esteja cinzento e chova.
4 - Sentir o calor do secador na cabeça.
5 - Caminhar de ténis.
6 - Dos minutos que antecedem a chegada do metro (antes de ir para o trabalho).
7 - Comprar o jornal e encontrar algo de interessante para ler.
8 - Concentrar-me no trabalho.
9 - Organizar a agenda.
10 - Ver os pés em cima da cabeça.
11 - Chá verde e menta acompanhado de croissant com queijo.
12 - Apresentações em Power Point com pouco texto e sem fundos mirabolantes.
13 - Truques de ilusionismo.
14 - Silêncio.
15 - Dormir, sentindo cansaço no corpo.
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