Thursday, September 11, 2014

Sabes que tudo vale a pena quando...

... Sendo os motivos propícios à depressão, dás por ti rodeada de pessoas fantásticas e num lugar onde, apesar de tudo, há ainda um ou dois aspectos (muito) positivos que compensam os desgostos. E que, apesar da aleatoriedade de vida, até tiveste sorte no que te saiu na rifa. And then, it's just like Monty Python said: «Always look at the bright side of life. (And whistle.)»

Tuesday, September 2, 2014

Sem número, número 24

Há quase década e meia  acreditava firmemente que existia um Nino Quincampoix do outro lado da rua, noutra cidade, noutro país (noutro planeta, até), talhado perfeitamente para mim. Hoje em dia já me contento em saber valsar ou apenas dançar uma mazurca.

 

Monday, September 1, 2014

Sem número, número 23

Porque é que os dias, mesmo que se iniciem com Monty Python, terminam inevitavelmente com Bohumil Hrabal?

Thursday, August 28, 2014

Sem número, número 22

Duvido que Wristcutters, um filme indie como se quer, tenha sido muito badalado na altura em que saiu. Tenho-o como referência [mas a mim ninguém me tem como referência (e ainda bem)], porque quando nos sentimos a atingir o fundo do poço, o importante é whatever works.

A cena de abertura é ao som de Tom Waits, que infelizmente poucos dos que conheço tiveram a oportunidade de ver ao vivo. E o facto de o filme incluir o senhor Waits reconforta-me. E era isso.

Monday, August 25, 2014

Sem número, número 21

A minha reacção perante atitudes infantis ou quando me fazem perguntas estúpidas:



Expect me dressed like this next Halloween. -.-

Monday, August 18, 2014

Who are you, people?


Quem são estas pessoas que continuam a vir parar a este blogue, oriundas de locais onde nunca estive, não sei se alguma vez estarei ou desejarei estar? Porquê??? Why??? Warum???

Monday, July 7, 2014

Sem número, número 20


O efeito borboleta deve ser isto: três fuselagens gigantes destinadas à montagem de Boeing's 747 caem ao rio no estado de Montana, nos EUA, e uma moça numa pequena localidade portuguesa fica com a cabeça em água.

Friday, May 2, 2014

Livros extraordinários #1


Directamente da série «Capas espectaculares, brutais e cenas assim», a capa original de O Vampiro de Curitiba, de Dalton Trevisan. Corresponde perfeitamente ao conteúdo, ao «pintas» que é o Nelsinho.

Thursday, March 27, 2014

Frase do Dia #54

Há cerca de 17 anos (quando é que eu passei a contar números de dois dígitos para me recordar de factos passados?), por ocasião de um aniversário (acho eu) ofereceram-me um exemplar do OK Computer (Radiohead, pois claro). Até ao presente dia, este deve ser ainda o CD com mais quilometragem que possuo, tantas foram as vezes que girou no leitor. No interior da caixinha de plástico, vim a descobrir um dia um booklet ilustrado que dizia, entre outras coisas, o seguinte:

«Jump out of bed as soon as you hear the alarm clock!! You may also find it usefull spending five minutes each morning saying to yourself: ‘Every day in every way I am getting better and better’. Perhaps it is a good idea to start a new day with the right frame of mind

Não sei explicar porquê, mas ao ler ou recordar esta frase específica, penso em «Airbag», a primeira canção do álbum, e sinto-me satisfeita. São cenas.

Monday, March 24, 2014

A postcard a day keeps the sadness away #26


Se há dias em que não devíamos sair da cama, há noites que nunca deveriam acabar. E este é um gajo que deve perceber dessas merdas. Solidão incluída.

Thursday, February 6, 2014

Sem número, número 19

Já se perdeu a conta aos dias cinzentos de chuva, aos dias encerrados em casa, diante de um computador e livros. O isolamento constrói-se e, ao sair à rua, forçada pelos compromissos médicos, compreende-se finalmente o tamanho da solidão. É um luxo não se ser forçado a conviver com desconhecidos. Ao entrar no táxi compreende-se a importância de se estar só, distante das ruas, do metro, dos autocarros, dos balcões de atendimento. Durante um quarto de hora - oh, e entrara-se no táxi pensando poder contornar as distâncias e o tempo - o homem fala, fala, fala, queixa-se, brada contra todas as entidades de esquerda, contra o sistema político, pragueja e insulta violentamente, fazendo estremecer o passageiro. E os semáforos que insistem em ficar vermelhos, que permanecem assim durante minutos a fio, e a ânsia pelo verde, a ânsia de chegar, de poder sair dali e não ouvir mais aquele homem. «Cale-se», grita mentalmente. «Deixe-me», desejando o silêncio, que é mais valioso do que ouro e todas as pedras precisosas do mundo. No final, perante a ausência de reacção, pergunta se já terminei o meu curso, se trabalho. Digo-lhe que não. Espanta-se. «Como não trabalha?» Chegamos, finalmente. E saio, pago, deixo alguns cêntimos a mais: a vontade de sair dali não tem preço.

Monday, February 3, 2014

Sabes que não estás assim tão velha e acabada porque...

... É de madrugada e, tendo um projecto em mãos, sentes-te ainda motivada e desperta para continuar. Quebraste antes do jantar, mas a partir daí foi sempre a aviar e olhas para a lista de tarefas, de textos a escrever e cenas para apontar e fazer e decides-te a tratar ainda mais alguns assuntos antes de ir dormir, porque te dá para rabiscar e escrevinhar. É mais ou menos (menos, oh, muito menos) como quando, durante alguns meses, fazias uma directa semanal e tinhas tantas responsabilidades em mãos que chegavas a trabalhar das 22.00 às 2.00 e a levantares-te às 6.30 para escrever, sentindo-te fresca como uma alface e cheia de ideias e das palavras certas para transpor para o papel. «A fervilhar», seria a expressão correcta para descrever o que sentias. E sentias o que sentias, porque não tinhas uma gota de respeito pelas pessoas que insistiam em ser parvas e desvalorizavam o teu trabalho.

E eis que, finalmente, cinco anos depois (já passou tanto tempo?), sentes algo semelhante e sentes-te bem (vá, exceptuem-se as dores nas costas, no rabo e o cansaço nas pernas), porque não há ninguém que te possa fazer sentir uma incompetente, ou simplesmente mal por seres uma Wikipedia tonta com braços e pernas e muita informação inútil. That's it.

Monday, January 20, 2014

Frase do Dia #53

2013 foi um ano muito produtivo em posts. Foi uma alegria e bati o record do ano anterior. Por isso, nada melhor do que «contar» uma das milhentas frases do dia que uma pessoa podia botar aqui, retirada directamente de um dos livrinhos de David Markson, neste caso, Vanishing Point:

«William Faulkner once allowed himself to be interviewed on radio during a University of Virginia football game.
And was introduced as a winner of the Mobil Prize.»

Et voilá.

Monday, January 13, 2014

Sabes que qualquer coisa não está bem quando...

... tens de apagar itens e parte da tua formação, que custou a adquirir, do teu CV, na esperança de que alguém te dê uma oportunidade num emprego que não queres, mas que talvez seja o único que consigas.

Wednesday, November 20, 2013

Looking at the bright side of life #2

Procurando conforto e algum sentido na vida, pensando, uma vez mais, nos Python, creio que há um lado bom e motivos para olhar para ele: deixar de conviver com alguém que nos faz sentir diariamente estúpidos e incapazes, é capaz de ser uma coisa positiva. Quiçá, talvez ajude a melhorar a auto-estima, assim, na loucura. Ou não.

Logo se verá.

Thursday, November 14, 2013

Looking at the bright side of life #1

Mirando a caixa com todos os conteúdos alguma vez criados pelos Monty Python, lembrei-me que, olhando para o lado positivo da minha situação, de uma coisa podia estar certa:

Desde que o grande terramoto não ocorra até à primeira quinta-feira de Dezembro, já não morro dessa catástrofe natural. 

E regojizo e exulto e cenas.

Sunday, November 10, 2013

Sem número, número 18

Os domingos são os dias mais difíceis. Aos domingos contam-se os dias em falta até ao final do mês de Novembro. Quantas segundas-feiras existem ainda. Quantos dias úteis falta sofrer até que Dezembro chegue.

Os domingos nem sempre foram assim. Mas uma pessoa tem de se adaptar para evoluir. O único obstáculo é que é difícil a adaptação a uma situação à qual ainda não nos podemos adaptar porque ainda não existe de facto.

E perdida em cálculos e previsões, concluo: o valor de uma pessoa não é o conjunto de todas as suas partes; o valor de uma pessoa tem de ser traduzível numa unidade monetária. Contudo, no final, uma pessoa não vale nada: sendo substituível, perde qualquer importância que possa ter. Como pratos, talheres ou copos descartáveis. E faz sentido: quem se há-de afeiçoar, ou sequer dar importância, a um copo de plástico, sujo, quando tem mais 15 prontos a usar?

Posto isto, sinto-me apta a reformular a Lei de Lavoisier: na realidade, nada se perde, porque nada importa.

Friday, November 8, 2013

Cenas e coisas que tais aleatórias #2

Em Heidelberg, no topo da montanha (ao qual demoraram mais de duas horas a chegar), caminham até chegar a uma escadaria, para Ela desconhecida.


Ela: «Ah, que bonito. E no topo da montanha. Para que foi construído?
Ele: «Era um anfiteatro nazi.»
Ela: ...

Thursday, October 10, 2013

Frase(s) do Dia #52

Ou, citando o senhor Cleese: «And now for something completely different.»

Limpando o e-mail dos anúncios de emprego que nunca se deixaram de subscrever, apareceu isto:

Post: procuramos blogger para blog de uma rede social portuguesa

Procuramos blogger para elaborar artigos diários para o blog de um site de uma Rede Social de Encontros entre pessoas casadas.
O trabalho será para ser feito em part-time e a partir de casa.
A Rede Social facilita encontros entre pessoas casadas.
Deverá de possuir uma boa capacidade de escrita e uma grande imaginação.
O blogger deverá de escrever um artigo diário sobre infidelidade, relações, casamento, aventuras amorosas, etc .
[...]
Os artigos serão colocados directamente no blog da nossa rede social casadasinfieis.com, e será um trabalho a longo prazo e bem remunerado.

Thank you dear Sir Tim Berners-Lee for providing bored married women some extra-marital fun. (Or not.) -.-

Wednesday, October 9, 2013

Depois do adeus

Em Frankfurt, sentimos o céu esmagar-nos, descendo sobre as nossas cabeças, pressionando-nos contra o chão.

Era o final do mês de Julho, início de Agosto. Não chovia ainda, mas o céu erguia-se cinzento na ponta dos arranha-céus. Era um mês atípico na cidade, mas ainda assim, o bulício rotineiro do seu dia-a-dia era perceptível. Atravessando as largas avenidas que abriam caminho entre os altos edifícios, alguns símbolos germânicos pareciam fazer sentido, como se de um prolongamento da cidade se tratassem: o tom escuro dos fatos Hugo Boss, o preto dos Mercedes-Benz e dos BMW que povoavam a cinzenta urbe. Era uma cidade ventosa, fria, onde o céu era um espelho dos monumentais prédios de vidro e aço.

Os arranha-céus roçavam os céus forrados de nuvens escuras e o vento varria as avenidas, anunciando a tempestade. Subitamente sentiram algumas gotas cair e, ainda em silêncio, apressaram o passo em direcção ao carro.

Ela não sabia bem porque ali estava. «Naquela direcção?». «Sim, vamos», respondia ele nos seus diálogos que lentamente se estavam a transformar em monólogos. Ela já não tinha mais nada para lhe dizer. Mas talvez ele também não estivesse interessado.

Ela inquietava-se por não saber explicar porque estava ali. «Pelo menos aqui já não chove», pensava. «Pelo menos já não está tanto calor», dizia si mesma, como que procurando um qualquer motivo de consolação que a impedisse de sentir o peso que carregava dentro de si. Mas não estava a resultar.

«Como ficámos assim?», questionava-se. Como deixou se deixou chegar àquele ponto? Quando se tinham perdido um do outro?» «Um capricho», pensaria anos mais tarde. «Um capricho pelo qual me deixei embalar». A culpa não era exclusivamente dele, porque ela o deixara levar a sua dignidade. Por isso sentia o peso da culpa. E da vergonha. A dignidade era o que mais valorizava e deixara-o arrasá-la, porque julgava que o amava. Mas não sentia amor.

A situação era ridícula e sabia-o. Perdera tudo em poucas horas. Consolava-a apenas saber que, na realidade, a responsabilidade pertencia a ambos. Sabia também que quem ama, perdoa. E ele não lhe perdoara o momento em que perdera a calma e se vira despojada de toda a racionalidade.

Era complicado. Fora tudo muito confuso. Amor e raiva misturavam-se. Mas, como sempre, não adiantava pensar nisso. «Já passou», dizia, procurando convencer-se. Talvez nunca tenha compreendido o que aconteceu naquela cidade cinzenta, quando ambos passeavam de rostos pesados. Não eram mais amantes, porque o amor se desvanecera. Não eram namorados, porque o afecto desaparecera. Restava somente o conforto da  realidade, de que ninguém agiu mal, que ambos se magoaram. Mas era assim que devia ter sido. Era suposto ela sofrer. E era suposto ele crescer.

[O bonito céu de Francoforte em pleno Verão.]

[Publicado originalmente a 10 de Junho de 2008.]