Harry Patch foi um dos veteranos que sobreviveu à Grande Guerra. Esta é a homenagem dos moços de Oxford, em memória de Harry.
(Só vos digo: ora escutem...)
Monday, August 31, 2009
São estas as nossas canções
São estas as minhas canções
Eles dizem que não voltarão a editar mais álbuns. Não sei se gosto. Por enquanto vão fazendo canções e nós por cá continuaremos a escutá-los, seja novo e fresquinho, seja velhinho. (Pois também não sou fundamentalista no que respeita a Radiohead, um dos meus pequenos grandes e velhos prazeres.)
Thursday, August 27, 2009
Fresquinho!
Tuesday, July 7, 2009
No dia em que perdi parte de mim
Numa amena noite de Maio, passava no ecrã de uma certa rua conimbricense um tal filme japonês. Finalmente, cerca de seis anos após o lançamento do filme em Portugal, e após o seu postal promocional enigmático ter chegado às minhas mãos, finalmente assistia a Dolls. Foi este um dos primeiros exemplares da minha pequena colecção de postais gratuitos de filmes.
Um casal surge representado na imagem, ambos vestidos com trajes flutuantes e caminhando num bosque outonal. Pisam folhas de tons alaranjados flamejantes e o seu semblante é triste. No topo, aquela palavra que assumia contornos misteriosos quando combinada com a imagem: Dolls.
Fiquei com curiosidade de saber do que se tratava. Anos mais tarde, o filme chegou às minhas mãos pela mão de mais uma pequena coincidência, junto de outros filmes orientais seleccionados por uma amizade recente. O espanto é visível no meu sorriso. É chegada a hora.
Sento confortavelmente no sofá, encostada aos almofadões, taça de chá verde na mão. Os sons iniciais dos créditos aparecem. Silêncio, que se vai assistir a bom cinema.
Sunday, June 14, 2009
Arigato gozaimasu London!
Não sei se há quem ainda se delicie com coincidências. É algo que consegue sempre deixar-me maravilhada. Ou pelo menos, surpreender-me. Sejamos honestos: no mundo do been there, done that, é raro ter surpresas. Pelo menos daquelas que fazem bem ao coraçãozinho, que nos fazem dar um pequeno (sobre)salto.
Na minha mais recente viagem ao Reino – e não me refiro ao do Lars von Trier (esse fica para outra ocasião e outro post,), mas ao United Kingdom, de sua Majestade Rainha Isabel II – uma pequena coincidência: caminhando por Leicester Square, em busca de uma loja de livros em segunda mão que tem fama de ser uma das melhores – Any Amount of Books, de seu nome – avisto o Café de Hong Kong ao fundo da rua. “Estranho nome este”, penso. Aproximo-me. E eis que do lado esquerdo vejo num restaurante, placas de metal no meio da mesa. “Oh!”, exclamo, pois trata-se de um restaurante japonês. Mas não um qualquer restaurante japonês. Era – e é – um restaurante japonês de okonomiyaki!
A coincidência é de grandes proporções. Há coisa de semanas, um amigo – o meu ilustre companheiro de postcrossing (e carreguem lá no link, hein) – pediu-me que escrevesse sobre este delicioso prato japonês difícil de encontrar no Ocidente. Há já um ano que salivava cada vez que recordava as trincas dadas numa bela okonomiyaki, em Osaka. De regresso ao Ocidente, busquei o pitéu. Mas sem sucesso. Ninguém parece ligar muito a esta espécie de pizza/panqueca oriental.
Fiz uma busca, reli o guia do Japão e finalmente descobriu-se uma receita. E escreveu-se sobre o prato. Entretanto, tendo encontrado um inhame açoriano que substituísse o chinês, que serve de base à panqueca, começava a crescer a esperança de ser possível confeccionar, pelo menos, um sucedâneo de okonomiyaki.
Foi então que no meio daquela caminhada londrina surgiu o Abeno, restaurante de okonomiyaki. Estava decidido: o jantar seria okonomiyaki! E assim foi. Entrei, sentei e observei.
Curiosa a composição da clientela do restaurante. Sentada sozinha, remetida para um canto pelo único empregado ocidental – que amaldiçoei por isso – era a excepção que confirmava que a regra: apenas casais jantavam ao balcão. Agora a estatística: a maior parte dos casais tinha um elemento oriental, e na maioria dos casos, o elemento oriental era do sexo feminino.
No meio da minha reflexão, tirando notas e fotografias mentais do lugar, reflectia sobre a última experiência com okonomiyaki. Este restaurante londrino é mais fashion e minimalista que o velhinho e tradicional restaurante de okonomiyaki de Osaka onde saboreei aquela bela panqueca na internacional companhia de falantes de inglês: Ben, oriundo de San Diego, Califórnia, EUA, Mark, caríssimo neozelandês que me falou da concorrência lusitana – neo-zelandesa, Liz, a very nice londoner e Clare, a menina originária de Kentucky, o que, obviamente, lhe valeu umas fracas piadas sobre o KFC. Poverina!
Em Londres, encontrei-me só ao balcão do restaurante, encarando a okonomiyaki e trocando algumas palavras com o empregado/chef que ia confeccionando a minha apetitosa panqueca. Perguntei-lhe pelo inhame e lá me disse, surpreendendo-me com a informação que pouco inhame se adicionava, e ovo, nem vê-lo. Foi produtivo, tendo servido de base para a minha futura aventura na cozinha nipónica. No entanto, o rapaz não sabia que tempura é uma herança portuguesa. Lá tive de lhe explicar um pouco sobre as relações luso-nipónicas, evocando a sábia voz de Wenceslau de Morais. E cito:
“Os japoneses dizem: tempura (de “tempero”, ou de outro termo parecido). Tempura é qualquer artigo de cozinha, frito em azeite; correspondente ao nosso actual vocábulo “fritura”.” (in O Culto do Chá)
Fiquei um pouco triste com a cara desconfiada do moço. Os ingleses desconfiam sempre de um facto deste género, talvez por sermos um país pequeno. Mas a verdade é que, ainda que a milhares de quilómetros de distância e mesmo que separada por séculos, o facto é que conseguimos deixar uma marca nos lugares por onde nós, almas lusitanas, passámos.
E viva o 10 Junho atrasado! Hip, hip, hurra! Contra os bretões, marchar, marchar!
Friday, May 1, 2009
O sócio 13.123 do Belenenses
Nesse dia ainda, recordo as imagens que passaram várias vezes na televisão - na RTP – com o monolugar a embater brutalmente contra a parede de betão, na curva Tamburello, em Imola, no Grande Prémio de San Marino. Dizem que o carro entrou na curva a mais de 300 quilómetros por hora, mas que, ainda assim, desde que iniciara a derrapagem, o piloto conseguira reduzir a velocidade para uns 200 quilómetros por hora. Porém, não foi o suficiente para conseguir evitar a colisão.
Vem-me à memória também o funeral, visto do ar. Esse vi-o em casa da minha avó, creio que à hora de almoço, antes de voltar para a escola. Um grande aparato em torno do carro funerário, ladeado por muitas motas.
Hoje, enquanto lia o Público, a propósito dos 15 anos da morte de Senna, fiquei a saber da ligação do piloto a Portugal, pois refere-se que o brasileiro seria o sócio 13.123 do Belenenses. Pensei para comigo, com alívio, que bom que era que Ayrton Senna se tivesse dedicado à Fórmula 1 e não ao futebol…
Há cerca de ano e meio, tive a oportunidade de conhecer o sobrinho de Ayrton Senna, de seu nome Bruno Senna. Fora a Macau para participar no Grande Prémio. Foi uma festa. O rapaz por lá andou, nos dias que antecederam a prova e em que já se podia escutar o barulho dos motores dos carros e das motas ao acordar (eu morava perto da famosa curva do Lisboa, onde alguém acaba sempre por se espatifar, normalmente algum maluco de mota).
No dia das classificativas, o rapaz mal deu umas voltinhas ao circuito da Guia. Estragou o carro. Não deve ter chorado mais por isso, parece-me. Quanto a mim, também não me surpreendeu muito. O rapaz foi uma pequena desilusão. Completamente desprovido de carisma, pouco tinha que ver com o tio. E o talento para a condução, também não parece abundar. Não tem mãozinhas para aquilo. E nisto do desporto automóvel, é um bocado como o piano: ou se tem mãos e talento, ou não. E mais nada.
Mal me lembro de o ver em pista, agora que penso melhor. A recordação mais marcante do moço é ele a tirar os ténis para entrar dentro do antigo monolugar do tio, que é peça central do Museu do Grande Prémio de Macau. O tio era mais pequeno. E mais maneirinho. E nisto dos monolugares, ser “piqueno” é ponto a favor. Deve ter sido por isso que na sua breve passagem pela Fórmula 1, Alex Wurz, embora bem jeitoso, nunca tenha ido muito além nas corridas de monolugar, ainda que fosse o presidente do sindicato dos pilotos: era, no seu tempo, o mais alto, com cerca de 1,86 m e pesadote, indo além dos 80 quilos. A constituição do moço não ajudava. Mas não deixava de ser bem bonito, é de frisar. Loiro, olhos azuis penetrantes e um sorriso terno e suave faziam dele – a meu ver – um bom partido.
Rebuscando um pouco mais o baú das memórias da F1, vem-me à mente o ano de 1999. Ano fatídico para “Schummi”. Corria o querido mês de Agosto, quando, em Silverstone, o já na época bi-campeão de Fórmula 1, ao volante de um Ferrari, se despista e acaba no meio da barreira de protecção de pneus. Nesse dia o senhor apenas partiu uma perna, mas um dos bombeiros presentes foi atingido por um dos pneus que saltou com o impacto, tendo acabado por falecer. Por sua vez, o título de campeão do alemão “foi para o galheiro”, como se costuma dizer nos meios populares.
Ironicamente encontrava-me no Brasil, eu que nunca tivera muita estima por Schumacher. No ano em que Senna falecera, ele saiu a ganhar: sem a concorrência do brasileiro, o alemão acabaria por conquistar o seu primeiro título mundial. O primeiro de sete, o que faria de “Schummi” alguém ainda maior que o argentino Juan-Manuel Fangio, que até 2001 era o único piloto a ter alcançado a fasquia dos cinco títulos na F1.
Com Schumacher de fora, o campeonato animou-se um pouco e a certa altura havia quatro potenciais candidatos ao título. Contas feitas, se as coisas corressem bem a cada um deles, era matematicamente possível ver Eddie Irvine, Heinz-Harald Frentzen, David Coulthard ou Mika Hakkinen levar para casa o cobiçado troféu. O ragazzo irlandês da scuderia italiana esteve bem próximo disso. E era por Irvine que eu torcia. Por Irvine, ou por Frentzen, um moço alemão bem apessoado que já fora da mesma equipa de Schumacher em tempos idos. Infelizmente, o irlandês não parecia talhado para campeão e na prova final do campeonato de 1999, no Japão, deitou tudo a perder, atirando para o colo do finlandês o título de campeão mundial de Fórmula 1.
Ah, aquele foi um bom ano. Não me recordo de ver tanta gente “à cata” do título. Foi mesmo emocionante, diria. Mas esses tempos já acabaram. Os pilotos do tempo de Senna foram-se retirando da modalidade e também o meu entusiasmo foi esmorecendo. Foram-se Gerhard Berger, Jean Alesi, Johnny Herbert, Damon Hill, Mika Hakkinen, Eddie Irvine, Heinz-Harald Frentzen e mesmo Michael Schumacher. Em memórias passadas ficam outros nomes sonantes, como o de Alain Prost, do bobby Nigel Mansell e também de Niki Lauda. Eram outros tempos, eram. O tempo em que as partidas eram aparatosas, em que sempre alguém ficava para trás logo na primeira curva, mas ninguém se aleijava muito. E nós cá em casa ficávamos agarrados à televisão, sempre na expectativa, à espera de ver quem seria o bravo que cortaria a linha da meta em primeiro. Belos tempos esses. Belos. Mas idos.
