Numa soalheira tarde de Inverno, a leitora, sentada à sua secretária, sentiu um piscar de olho de Dino Buzzati. Quando a noite fria chegou, a leitora decidiu-se finalmente a abrir o livro e a levá-lo consigo para a lareira (já Calvino dissertara naquele livro cujo título partilha semelhanças com o deste post sobre a necessidade de uma leitura confortável e cómoda). Sentou-se na ponta do sofá, pés apoiados no degrau da lareira, pousou com cuidado o livro nos joelhos e abriu-o, folheando delicadamente as páginas. «I sette messaggeri» é o primeiro dos Sessanta racconti. Leu sozinha em voz baixa, pronunciando vagarosamente os vocábulos italianos, ponderando o significado de cada um. Comoveu-se com a história do príncipe viajante em busca dos limites do seu reino. Leu a sua solidão, a sua morte. Entristeceu pensativamente. Terminou a leitura. Fechou o livro. Levantou-se, olhou as brasas mortas. Saiu da sala. Desapareceu na noite.
Showing posts with label Sessanta racconti. Show all posts
Showing posts with label Sessanta racconti. Show all posts
Wednesday, February 15, 2012
Se numa noite de Inverno* uma leitora #2
Labels:
Dino Buzzati,
Italo Calvino,
Sessanta racconti
Subscribe to:
Posts (Atom)