Thursday, December 3, 2020
Sem número, número 47: Somos o que somos (mas às vezes podemos ser diferentes)
Friday, October 23, 2020
Blogception #4: Um blogue dentro de um blogue
Ontem, foi o aniversário de um querido amigo e ao jantar partilhámos histórias de viagens, de lugares que visitámos juntos e outros onde ambos estivemos, mas em separado. Um desses sítios foi Bruges, onde fui muito feliz e bebi muita cerveja. Outros tempos, tutta un'altra vita.
(ALWAYS) LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE
Há muito tempo, num post muito muito distante, declarei que a minha vida não dava um filme e teorizei sobre rotinas, afirmando que, apesar de aborrecidas, são necessárias. Esta semana, como que sentindo urgência em provar a veracidade dessa teoria, saí da minha rotina laboral, aventurando-me nuns poucos dias de férias, e, consequentemente esqueci-me que aquela era semana de Preguiça.
«Vergonha!, irresponsabilidade!», gritava a minha consciência. Como podia ser, quando anoto religiosamente a periodicidade das publicações na minha agenda e no calendário disponibilizado pelos senhores da Google? A verdade é que me esqueci porque foi uma semana atípica e só no próprio dia me dei conta do lapso.
Mas perdoe-me a meia dúzia de cidadãos leitores que duas vezes ao mês perscruta este canto. Perdoem-me, pois. Ora, encontrando-me vazia de ideias (mas cheia de chocolate), e perdendo minutos da minha vida no Facebook, apercebi-me, subitamente, graças aquelas compilações de memórias que a coisa agora faz, que o último ano (desde Fevereiro do ano passado para cá) foi dos diabos: há um ano despedia-me temporariamente do Minudências, por motivos relacionados com a minha saúde, e amaldiçoava com alguma frequência a minha mudança de cidade. Pesava sobre mim muito trabalho, uma vida não-social e uma consciência que felizmente não tem figura humana ou animal, caso contrário uma de nós já teria ido parar ao hospital vítima de violência física.
Um ano depois, em Março de 2016, ainda a procissão vai no adro e dou por mim a verificar que já cumpri umas quantas resoluções de Ano Novo: terminar a leitura d’O Bom Soldado Svejk (check), visitar uma nova cidade (Bruges, check) e arranjar um novo corte de cabelo (finalmente, check).* Sim, não elevei muito a fasquia, mas quem disse que as resoluções têm alterar a nossa vida radicalmente? Um ano depois, raras são as semanas em que após o trabalho não tenho já uma série de actividades planeadas, que podem incluir uma ida ao cinema ou ao teatro, ler um livro numa esplanada, beber copos com os colegas de trabalho no final do horário de expediente, escrever coisas novas, ver um filme no conforto do lar, conviver com os amigos (alguns novos), ou dormir uma sesta.
Não são tarefas que mudam o mundo, mas são pequenas coisas que me impelem a seguir em frente, mesmo nos momentos menos bons. Aquelas alturas em que percebemos que não estamos a fazer aquilo com que sempre sonhámos, nem moramos onde gostaríamos de morar, nem temos algumas das coisas que pensámos que teríamos por esta altura. As sombras existem, as memórias de momentos mais felizes empurram-nos para o chão e a desilusão está aí mesmo ao virar da esquina. Cada um faz o que pode e cada qual desenrasca-se como sabe (ou como intui). Nascemos sem livro de instruções (os livros, sempre os livros!) e por mais que os pais, os avós, os tios, os primos, os amigos mais velhos, os amigos da mesma idade, pessoas estranhas, nos digam para fazer assim ou assado, nada substitui a experiência e a importância de uma queda.
Ao contrário do que fazia quando era pequena, ao ler os policiais de Agatha Christie – ou seja, fazer batota e consultar o final para verificar se o meu suspeito correspondia ao criminoso – a vida não permite dar saltos em frente só para ter a certeza se a história vai acabar bem. E, ao encontrarmo-nos aqui, presos na nossa própria narrativa, a única coisa a fazer, parece-me, é continuar em frente, página a página, capítulo a capítulo, assobiando (como recomenda Eric Idle em «Always Look on the Bright Side of Life») até ao fim.
* Também fiz uma tatuagem evocando o meu adorado Dino Buzzati. Mas não o disse porque na altura era um quase-segredo. Publicado inicialmente a 14 de Março de 2016, sem alterações.
Saturday, October 3, 2020
Cenas e coisas que tais aleatórias #4
Robert Smith cantava que à sexta-feira estava apaixonado. Às sextas, eu diluo-me em álcool, à espera que a minha essência ou os meus demónios se evaporem.
Mergulho em taças de vinho à espera que os ombros abandonem o estado de alerta e permito que a minha mente recorde todos os minutos bonitos que antecederam os fins. Por instantes, um sorriso aflorará e lembrar-me-ei do dito «Mais vale ter amado...». (O conforto é válido em qualquer forma, desde que não magoe ninguém.)
Às sextas, ao final da tarde, suspende-se a soma das horas e o tempo parece eterno perante a perspetiva do fim-de-semana. Não são as vistas que encurtam. É só a vida que encolhe nos dias úteis. E nós que somos mais pequeninos nas horas que nos sobram.
(O Iggy canta melhor aquilo que penso do que o Robert. Só isso.)
Friday, October 2, 2020
Sem número, número 42: Do hábito
210 dias. Passaram 210 dias desde a última vez que estive na empresa onde trabalho. Hoje regressei, ainda que apenas para buscar algumas coisas.
O percurso foi o habitual. O mesmo que fiz, diariamente, cinco dias por semana, alguns feriados incluídos, com excepção das férias e baixas, entre o dia 12 de Maio de 2014 e o dia 6 de Março de 2020. Ou seja, cerca de seis anos. Durante cerca de seis anos percorri esse caminho que, por volta das 6h30 da manhã, sem trânsito ou chuva, demora dez minutos a fazer.
O itinerário foi o mesmo, ainda que num horário diferente. E, para meu espanto, após atravessar a ponte e contornar algumas rotundas, hesitei no caminho. Foram apenas instantes, uns segundos, mas a hesitação surpreendeu-me.
Nestes seis anos de regresso a Coimbra, houve fins-de-semana em que, rumando a casa dos meus pais (que se situa no sentido oposto ao da empresa), dei por mim a caminho do trabalho. O corpo entrou em modo piloto automático - talvez o cansaço ou a cabeça a mil - e seguiu a rota dos dias úteis.
Supostamente, old habits die hard. Na verdade, descobri hoje, são apenas necessários 210 dias para quebrar uma rotina. Mas talvez nem seja preciso tanto tempo para matar um hábito. Do mesmo modo que não é impossível impor um novo. Tal como um ditador, após a queda de um, é sempre possível substituí-lo por outro. Basta tentar.
Monday, June 22, 2020
Sem número, número 35
Thursday, August 18, 2016
Sem número, número 33
Faltam pouco mais de dez dias até ao final do mês e eu chego a temer o que eles trarão. Nada de bom, provavelmente.
Wednesday, September 30, 2015
Sem número, número 32
Finais de tarde romanos, no cimo da colina, no parque onde diversas pessoas se reúnem em volta de algumas garrafas de vinho e petiscos improvisados e um homem toca «Si è spento il sole». Eu imagino que ouço a voz do Vinicio Capossela e sinto-me feliz: por instantes estive verdadeiramente em Roma.
Sunday, January 11, 2015
Sem número, número 30
Do que eu preciso mesmo, é de uma semana a esquiar e a encher a cara. Todos os dias. A partir das 7:00. Nada que saia da minha rotina, portanto.
Nunca o cansaco psicológico se fez sentir tão físico.
Thursday, December 18, 2014
Sem número, número 29
Thursday, November 6, 2014
Sem número, número 28
Friday, October 10, 2014
Sabes que a semana foi uma merda mas...
1. Existem farmacêuticas e a droga que produzem é legal e acessível;
2. Há terapeutas que são qual anjos de salvação e cujas mãos fazem maravilhas;
3. É sexta-feira (!!!) e amanhã é sábado e não se trabalha e pode-se dormir e pode-se ir à cabeleireira, esteticista e outras coisas não fundamentais para sobreviver, mas que fazem bem à alma.