Sunday, June 5, 2011

Frase do Dia #20

Ainda a propósito de Roma, Cidade Eterna, desta vez por Luigi Pirandello, em O Falecido Mattia Pascal (ed. Cavalo de Ferro).

«- Porque vive em Roma, senhor Meis?
- Porque gosto de cá viver...
- E, no entanto, é uma cidade triste - observou ele, abanando a cabeça. - Muita gente se admira com o facto de nenhum empreendimento aqui resultar, de nenhuma ideia criativa ganhar raízes. Mas essas pessoas maravilham-se porque não querem reconhecer que Roma está morta.
- Roma também está morta?! - exclamei, consternado.
- Há muito tempo, senhor Meis! E é vão, acredite, todo e qualquer esforço para a fazer reviver. Fechada no sonho do seu passado majestoso, já não quer saber desta vida mesquinha que se obstina a formigar à sua volta. Quando uma cidade teve uma vida como Roma, com características tão especiais, não pode tornar-se uma cidade moderna, ou seja, uma cidade como outra qualquer. Roma jaz, com o seu grande coração despedaçado, da parte de trás do Campidoglio. Serão porventura de Roma estas casas novas? Olhe, senhor Meis. A minha filha Adriana falou-me da pia de água benta que estava no seu quarto, lembra-se? A Adriana tirou-a do seu quarto, mas no outro dia caiu-lhe das mãos e quebrou-se. Sobrou apenas a conchinha, que está agora no meu quarto em cima da minha escrivaninha, e que eu destinei ao uso que o senhor inicialmente, de maneira distraída, lhe deu. Pois bem, senhor Meis, o destino de Roma é semelhante. Os papas fizeram dela - a seu modo, claro está - uma pia de água benta; nós italianos fizemos dela - a nosso modo - um cinzeiro. Viemos de todos os lados do país para sacudir para dentro dela as cinzas do nosso charuto, que é, de resto, o símbolo da frivolidade desta nossa vida misérrima e do amargo e venenoso prazer que ela nos dá.»

Saturday, June 4, 2011

Frase do Dia #19



Roma, a cidade das ilusões. Roma segundo Gore Vidal:

«Gosto dos romanos. Não se importam se vivem ou morrem. São como os gatos. E esta é a cidade das ilusões. É uma cidade, antes de tudo, da Igreja, do governo, do cinema. Todos fabricantes de ilusões. (...)  Qual lugar melhor que esta cidade, que já morreu tantas vezes, e ressuscitou tantas vezes, para ver o verdadeiro final através da poluição e superpopulação? Parece-me o lugar perfeito para ver se acabamos ou não.»

(Recuperado de Roma de Fellini, 1972)

Sunday, May 15, 2011

Frase do Dia #18

A frase do dia de hoje é mais que uma frase. É um trecho. Esta estava fora dos post-it's velhos que habitavam as gavetas da secretária de estudo há anos. Lembrei-me de Milan Kundera, um parágrafo que sublinhara em A Lentidão e fui à fonte buscá-lo. Não foi preciso procurar muito. As frases lá estavam, assinaladas a lápis.

«...o homem inclinado para a frente na sua motorizada só pode concentrar-se no segundo presente do seu voo; agarra-se a um fragmento do tempo cortado tanto do passado como do futuro; é arrancado à continuidade do tempo; está fora do tempo; por outras palavras, está num estado de êxtase; nesse estado, nada sabe da sua idade, nada da mulher, nada dos filhos, nada das suas preocupações e, portanto, não tem medo, porque a fonte do medo está no futuro, e quem se liberta do futuro nada tem a temer.»

(O livro leu-se há anos e ainda hoje este pensamento permanece na memória.)

Monday, May 9, 2011

A postcard a day keeps the sadness away #2 meets Frase do Dia #17

Duas categorias cruzaram-se num post e eis o resultado.


Chegou há poucos dias, trouxe-o o senhor carteiro - não a cegonha -, no meio da luz e cita Camus (rima, hein?).

Sunday, May 8, 2011

Numa rua de Lisboa... #2

Há alguns dias que passo na mesma rua e esta plaquinha, estrategicamente colocada na rua, no sentido dos transeuntes, tinha já despertado a minha atenção. O texto faz-me lembrar aqueles anglicismos e/ou galicismos que acrescentamos à nossa cara língua lusa e que escrevemos como ouvimos.  



Uma espécie de «pudim», que na verdade é «pudding». -.-

Saturday, May 7, 2011

Numa rua de Lisboa... #1

Pedindo desculpa aos amáveis visitantes que nada têm visto por aqui nos últimos dias, colmato esta ausência com um anúncio com o qual me deparei há dois dias, numa qualquer rua de Lisboa.


Suspeito que o fundador deste negócio, na sua juventude, não perdia um episódio das Tartarugas Ninja. -.-

Monday, May 2, 2011

Frase do Dia #16

É impossível não voltar a Umberto Eco. E nos dias difíceis como são as segundas, sabe bem pensar no que disse O Mestre no seu clássico, O Nome da Rosa:

«O máximo que se pode fazer é ver melhor.»

E assim falava Guilherme de Baskerville ao seu pupilo Adso de Melk. (Que é como quem diz, dizia Sir Sean Connery ao imberbe Christian Slater)